Violência urbana: um desafio a ser enfrentado pela sociedade brasileira

Enviada em 09/11/2021

O período colonial no Brasil foi marcado por um cenário de repressão e exclusão social. Os portugueses invadiram o território brasileiro, de maneira violenta, com o objetivo de impor sua cultura, obter riquezas e escravizar. Pode se afirmar que, esse cenário enraizou a violência em uma população que estava em formação e se reflete até os dias atuais. Assim, a desigualdade social e o sistema penitenciário falho são os principais motivadores que perpetuam a violência urbana.

A violência urbana é gerada pela desigualdade social. Segundo o sociólogo Karl Marx, na obra ’’ O capital’’, discute sobre o conceito de ‘‘fetichismo da mercadoria’’ na qual, independente da classe social, um indivíduo deseja adquirir um produto ou frequentar lugares pelo status que eles proporcionam. Sob essa ótima, no cenário de acentuada diferença social do Brasil, essa tendência de consumo é reforçada. Uma vez que, por um lado, há pessoas frequentando shoppings de alto padrão e por outro, moradores de rua que possuem apenas a roupa do corpo. Dessa forma, quando uma pessoa que não tem o capital necessário para adquirir um bem material, esta pode recorrer à criminalidade para obter o recurso. Logo, a ilusão que o consumo gera no ser humano, provocada pela desigualdade social, contribui para a violência urbana.

Além disso, um sistema penitenciário ineficaz serve para aumentar os índices de violência urbana. O filme ‘‘Carandiru’’, de Héctor Babenco, retratou a realidade na Casa de Detenção de São Paulo, na qual haviam celas superlotadas, condições precárias de higiene e ainda relações de poder entre os detentos. Após o massacre do Carandiru, um assassinato em massa que ocorreu no presídio em 1992, o grupo de poder da prisão se consolidou na facção criminosa Primeiro Comando da Capital, PCC. Dessa forma, ao ir para um ambiente onde a violência é reforçada e não há a preocupação na reinserção do indivíduo na sociedade, a tendência de muitos é voltar a cometer crimes, o que se torna um ciclo.

Portanto, o desnível social acentuado e o sistema carcerário que não promove a reabilitação social do detento são fatores que potencializam a violência urbana. Dessa forma, é papel do Governo Federal investir em programas que reduzam a diferença de renda da população, como por exemplo o Bolsa família, programa de auxílio financeiro para população de baixa renda. Isso será feito por meio de campanhas que incluam o morador de rua e pessoas de baixíssima renda no benefício e aumento na quantia recebida. Além disso, também é papel do Governo promover uma reforma no sistema penitenciário, por meio da melhora nas estruturas das penitenciárias e criação de cursos durante o período de detenção, como forma de capacitar o detento. Dessa forma, haverá a redução na desigualdade social e a inclusão dos presos na sociedade.