Violência urbana: um desafio a ser enfrentado pela sociedade brasileira

Enviada em 10/11/2021

O período colonial no Brasil foi marcado por um cenário de repressão e exclusão social. É fato que os portugueses invadiram o território brasileiro, de maneira violenta, com o objetivo de impor sua cultura, obter riquezas e escravizar. Pode-se afirmar que esse momento histórico enraizou a violência em uma população que estava em formação e se reflete até os dias atuais. Assim, a desigualdade social e o sistema penitenciário falho são os principais motivadores que perpetuam a violência.

A violência urbana é gerada pela desigualdade social. Nesse sentido, o sociólogo Karl Marx discute sobre o conceito de ‘‘fetichismo da mercadoria’’ na qual, independente de sua classe social, um indivíduo deseja adquirir um produto ou frequentar lugares pelo status que eles proporcionam. Sob essa ótica, no cenário de acentuada diferença social do Brasil, essa tendência de consumo é reforçada, uma vez que, por um lado, há pessoas frequentando shoppings de alto padrão e, por outro, moradores de rua que possuem apenas a roupa do corpo. Dessa forma, quando uma pessoa não tem o capital necessário para obter um bem material, esta buscará formas de obter esse recurso e, na falta de opções pela ausência de instrução, pode recorrer à criminalidade. Logo, a ilusão que o consumo gera no ser humano, provocada pela desigualdade social, contribui para a violência urbana.

Além disso, um sistema penitenciário ineficaz serve para aumentar os índices de violência. Nesse contexto, o filme ‘‘Carandiru’’, de Héctor Babenco, retratou a realidade na Casa de Detenção de São Paulo, na qual haviam celas superlotadas, condições precárias de higiene e ainda relações de ponder entre os detentos. Após o massacre do Carandiru, assassinato em massa ocorrido na prisão em 1992, o grupo de poder da prisão se consolidou na facção criminosa Primeiro Comando da Capital, PCC. Dessa forma, ao ir para um ambiente onde a violência é reforçada e não há preocupação com a reinserção do indivíduo na sociedade, a tendência de muitos é voltar a cometer crimes, o que se torna um ciclo.

Portanto, o desnível social acentuado e o sistema carcerário que não promove a reabilitação social do detento são fatores que potencializam a violência urbana. Dessa forma, é papel do Governo Federal investir em programas que reduzam a diferença de renda da população, como, por exemplo, o Bolsa família, programa de auxílio financeiro para a população de baixa renda. Isso será feito por meio de campanhas que incluam moradores de rua e pessoas de baixíssima renda no benefício e aumento da quantia recebida. Além disso, também é papel do Governo Federal promover uma reforma no sistema penitenciário, por meio da melhora nas estruturas físicas e criação de cursos durante o período de detenção, como forma de capacitar o preso. Dessa forma, haverá redução na desigualdade social e a inclusão dos presos, quando estiverem em liberdade, na sociedade.