Violência urbana: um desafio a ser enfrentado pela sociedade brasileira
Enviada em 29/11/2021
No filme brasileiro “Cidade de Deus”, é narrado a perspectiva da desigualdade e violência urbana da cidade do Rio de Janeiro, sob a visão de Buscapé, personagem principal que luta por sobrevivência por meio do trabalho em jornalismo. O menino, por meio de fotografias e entrevistas, retrata a guerra do tráfico e seus impactos nocivos à população. Consoante à ficção, a realidade brasileira ainda se vê neste mesmo cenário, uma vez que o crescente índice de desigualdade, atrelado à falta de políticas públicas, corroboram para um cenário de guerra em meio à urbanização.
Em primeiro lugar, é necessário relacionar o processo histórico de desigualdade ao contexto violento nos centros urbanos. O nascimento de comunidades no Rio de Janeiro, por exemplo, oriundas de uma “higiene estética” por parte do prefeito do início do século XX, corroborou para o apagamento de certos grupos, como ex-escravos, descendentes e migrantes, deixando-os à margem não só do desenvolvimento, como também de respaldos, no que tange educação, saúde e saneamento básico.
Esse processo de esquecimento, por sua vez, é acentuado pela ineficiência de políticas públicas também para os profissionais da área de segurança, por não haver certa compreensão estatal de que a violência mútua não proporciona soluções para a problemática. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a taxa de letalidade policial teve um acréscimo de 20% em 2019. Assim, é possível entender que a polícia é treinada com a necessidade combativa, colocando em risco sua vida, em meio a salários baixos e descaso governamental.
Sendo assim, é notório entender que o problema da guerra nas ruas é um ciclo vicioso que prejudica a população urbana como um todo. Dessa forma, o Ministério da Segurança Pública, como órgão responsável em promover a seguridade em todo território nacional, em parceria com o MEC, deve ampliar a educação para crianças e jovens de grupos sociais desfavorecidos, por meio de aulas que conscientizem sobre a violência urbana, a fim de promover um diálogo mais incisivo sobre a educação um futuro fora do ambiente violento. Somente desse modo será possível modificar a verossímil realidade representada pelas lentes de Buscapé.