Violência urbana: um desafio a ser enfrentado pela sociedade brasileira
Enviada em 23/10/2024
Na produção musical brasileira “Geni e o Zepelim”, interpretada pelo cantor Chico Buarque, o eu-lírico narra a hipocrisia e a violência social perpetuada pelo preconceito e pelas mazelas sociais. Concomitantemente, é nítido o desafio da sociedade brasileira quanto à violência urbana. Logo, é uma realidade a presença da desigualdade social como fator dominante e a negligência da figura estatal.
Diante desse cenário, é evidente a assimetria populacional no Brasil. Nessa perspectiva, o filósofo Ariano Suassuna afirma que a injustiça brasileira secular, dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilégios e o país dos despossuídos. De maneira análoga ao pensamento de Ariano, a discussão acerca da importância da igualdade social na contemporaneidade brasileira, embora seja relevante para o desenvolvimento de uma social-democracia, não recebe a devida importância, haja vista a segregação socioespacial de indivíduos de baixa renda, bem como, a ausência de políticas de planejamento e desenvolvimento regional para a diminuição da desigualdade dentro de centros urbanos. Dessa forma, enquanto houver a desarmonia populacional, no Brasil haverá a violência urbana.
Ademais, é válido ressaltar a inoperância do Estado de bem-estar social brasileiro. Nesse viés, de acordo com o filósofo Norberto Bobbio, as autoridades devem não apenas ofertar os benefícios das leis, mas também garantir que a população usufrua deles. Sob essa lógica, a partir do raciocínio de Bobbio, o Estado precisa não apenas criar políticas de desenvolvimento habitacional, mas também assegurar a criação de um sistema de segurança de urbanização, tal carência é evidenciada pela alta criminalidade e insegurança residencial no Brasil. Desse modo, nota-se uma grave ruptura no contexto estrutural brasileiro.
Assim sendo, é mister que o Estado tome providências para melhorar o impasse do quadro atual, visto que a violência urbana é um óbice no Brasil. Urge, portanto, que o Ministério da Justiça -órgão responsável pela ordem social no Brasil- faça projetos de leis de desenvolvimento habitacional na zona urbana e órgãos de fiscalização de segurança, por meio de aprovações constitucionais e verbas estaduais voltadas à cidadania, para que a criminalidade brasileira seja subtraída. Pois, somente assim, a atual urbanização diferirá da canção “Geni e o Zepelim”.