Voto em branco e a crise na democracia brasileira

Enviada em 20/03/2025

Por meio da história brasileira, é possível observar a evolução na inclusão de elei-tores conforme as remodelações da constituição. Na primeira constituição de 1824, somente homens brancos, maiores de 25 anos e proprietários de uma certa quan-tidade de bens poderiam voltar, ou seja, uma pequena parcela da população. Atual-mente, todos possuem o direito e dever de votar devido às normas estabelecidas na Magna Carta. No entanto, apesar do progresso evidenciado, a porcentagem de votos nulos está aumentando gradualmente, demonstrando o desconhecimento e desinteresse público pela política, que foi tão dificilmente conquistada. Portanto, a sociedade moderna regressou na política, voltando para uma época em que so-mente os com poder e conhecimento, de fato, fazem parte da democracia.

Primeiramente, é importante ressaltar o constante aumento na quantidade de votos em branco, não contabilizados, o que evidencia o desinteresse popular pela seleção de um representante. Segundo o site do Tribunal da Justiça Eleitoral, em 2022, mais de 3 milhões de brasileiros votaram branco ou nulo no segundo turno. Assim sendo, está explícito a indiferença e descuido da sociedade com a eleição de um presidente. Dessa maneira, é necessário implementar ações governamentais que estimulem e demonstrem para a população brasileira a importância da escolha de um representante para a nação.

Outrossim, vale salientar que esse desinteresse popular também é incentivado pelo desconhecimento social sobre o funcionamento da política no Brasil. Confor-me pesquisa do Data Folha de 2018, 56% dos brasileiros não sabiam explicar a fun-ção do Senado Federal. Por conseguinte, a análise dos dados, expressa que mais da metade da população não possui fundamento ou o conhecimento necessário para fazer uma escolha sensata e fundamentada durante o período eleitoral.

Diante do exposto, é urgente a implementação de medidas públicas que alterem o atual cenário político do país. Posto isto, cabe ao Ministério da Educação, em conjunto com o Poder Legislativo, efetivar leis que tornem aulas de educação política nas escolas durante o ensino médio obrigatória para todos. Desse modo, disseminando o conhecimento sobre o funcionamento para toda a sociedade de forma igualitária, além de estimular o espírito político participativo dos cidadãos.