Voto em branco e a crise na democracia brasileira
Enviada em 01/07/2025
A rede de fast-food “Burguer King” realizou uma propaganda na qual oferecia algumas opções para o usuário escolher e, caso escolhesse se abster, o indivíduo receberia um sanduíche composto apenas por cebolas. O intuito televisivo era gerar uma reflexão sobre o papel de se manter neutro a certas escolhas, como votar em branco, e as suas consequências. Dentro do cenário político brasileiro, a neutralidade social e a polarização ideológica são alguns dos motivos atrelados a uma crise democrática no país.
Diante desse cenário, a neutralidade social mascara o sentimento de impotência política pelo cidadão, visto que o cenário político brasileiro é controlado por líderes que priorizam o seus interesses pessoais em detrimento do bem-estar da população. Tal teoria defendida pela historiada Lilian Schwarcz esclarece que a decisão do voto em branco por alguns dos brasileiros representa uma insatisfação perante uma realidade de corrupções e desigualdades escancaradas por aqueles que deveriam ser os primeiros a combatê-las. Com isso, a democracia é desacreditada.
Além disso, a polarização ideológica é um dos fatores associados ao voto em branco e a crise na democracia brasileira. No filme da Netflix “O dilema das redes”, é exposto o papel da internet na propagação de informações, sejam elas verídicas ou não, as famosas “fake news”. Com isso, milhões de usuários são bombardeados com notícias políticas direcionadas pela inteligência artificial aos seus perfis, o que descredibiliza alguns políticos e culmina na descrença a democracia brasileira. Consequentemente, o voto em branco é validado na urna eletrônica.
Portanto, a neutralidade social e a polarização ideológica são alguns dos pontos atrelados ao voto em branco e a crise na democracia brasileira. Posto isso, cabe ao Governo Federal, em parceria com a Polícia Federal, investigar as posturas ilegais dos políticos brasileiros. Fora isso, com os veículos midiáticos, como o Instagram, elaborar um selo de autenticidade que deverá compor as informações veiculadas nas plataformas de notícias. De modo que a urna receba os seus devidos votos e que a democracia brasileira não tenha gosto de cebola.