Redação pronta: Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Roberta Rinaldi Exemplo de redação

Confira essa redação pronta sobre manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet.

“Sobre seu corpo e mente, o indivíduo é soberano”. O aforismo do filósofo utilitarista Stuart Mill ressalta uma característica ausente nos usuários da internet, qual seja, a falta de controle sobre a sua capacidade decisória. Infelizmente, essa realidade é produzida pela utilização de algoritmos que filtram o universo virtual dos indivíduos, o que gera sérios problemas à cidadania e à liberdade de escolha. Seja pela falta de transparência comercial e de uso das redes, seja pela escassa educação virtual dos usuários, faz-se premente a discussão dos impactos comportamentais do controle de dados na internet.

Convém ressaltar, a princípio, que o aprisionamento decisório dos usuários é condicionado tanto pela crescente mercantilização cibernética, quanto pela falta de transparência das redes sociais. Segundo o sociólogo Jean Baudrillard, “a realidade não é mais o que acontece, mas o que pode ser dissimulado e reproduzido”. Sob esse viés, vê-se que a utilização velada de informações e dados individuais pelas empresas e sites da internet, as quais constroem teias de preferências personalizadas, principalmente por meio de algoritmos, propicia a manipulação dos usuários à conveniência dos produtos e ideias de interesse, como ocorreu com o caso “Cambridge Analytica”, empresa associada ao Facebook, que induziu a escolha dos eleitores na corrida presidencial estadunidense, admitindo a falta de permissão dos usuários no recolhimento dos dados.

Ademais, é indubitável que o incipiente ensino do uso das redes virtuais, como reconhecimento de páginas duvidosas e notícias persuasivas, potencializa a falta de controle no acesso à internet. Para o filósofo catalão Manuel Castells, em seu livro “A Sociedade em Rede”, a nova era da comunicação é marcada pela criação de “Bolhas Virtuais” que emergem da deliberação, externa e individual, dos gostos e escolhas culturais. À luz desse pensamento, é nítido que a passividade dos usuários decorre da pouca informação dos mecanismos de controle cibernéticos, como critérios de relevância, notificações de acesso e indução comercial, o que prejudica o processo de escolha puramente individual, fortalecendo a deliberação influenciada.

Urge, portanto, que as mídias sociais, como Facebook e Instagram, por serem de grande relevância, criem propagandas e alterem a política de privacidade e uso, por meio de legendas e alertas coloridos em notícias e imagens, explicitando o caráter comercial, com o fito de dar mais transparência e controle aos usuários. Além disso, o Ministério da Educação, por meio do PNLD (Plano Nacional do Livro Didático), deve formular livros e materiais informativos, como cartilhas, tirinhas e brincadeiras lúdicas, como também incrementar aulas de informática como base curricular, visando orientar e auxilar os mais jovens no processo de uso das redes sociais. Assim, a soberania de Mill será retomada.

Nota: 920

Vamos debater sobre?