A linguagem adequada na hora da correção

Roberta Rinaldi dos Corretores

É natural que tenhamos certa dificuldade para direcionar um aluno na hora da correção do texto. Muitas vezes está claro para nós, corretores, o que deveria ser mudado, mas se não formos claros na hora do comentário, o apontamento pode não ser compreendido pelo estudante, tornando-se, no final das contas, inválido.

Fato é que, na hora da correção, precisamos analisar nossa linguagem, avaliar o público ao qual a direcionamos e modalizar o nossos discurso quando necessário, para sermos entendidos.

Pensando nisso, elaboramos este post para dar dicas e para direcionar você sobre o que deve ou não deve ser feito na hora da correção.

A IMAGINIE oferece a correção de grande parte dos vestibulares e concursos públicos, e há, ainda, para o Ensino Fundamental I e II. O perfil de cada um desses alunos é completamente diferente, eles precisam de direcionamentos específicos. Vamos pensar juntos.

Enem

No Enem, há critérios bastante específicos, cobrados em 5 competências. Os apontamentos para o candidato deste exame devem ser pautados nas regras estabelecidas e disponibilizadas na Cartilha do Participante. Um desses critérios, por exemplo, diz respeito à proposta de intervenção. Caso ela não esteja completa, o aluno não conseguirá os 200 pontos da competência na qual ela é avaliada. De nada adianta o corretor comentar “proposta incompleta”. O aluno não entenderá o porquê de ela ter sido considerada incompleta e nem o que fazer para que ela, finalmente, seja completa.

Um comentário válido é aquele bem elaborado, pensado para ensinar o aluno como melhorar.

Exemplo: “Sua proposta foi incompleta, por não apresentar os agentes responsáveis por resolver o que você problematizou. Sugestão: a mídia, um dos maiores veículos formadores de opinião, pode auxiliar nessa problemática, informando e divulgando à população sobre o problema, para que mobilizem-se em prol das mudanças.”

 Lembre-se de que os candidatos ao Enem são jovens, em sua maioria recém formados no Ensino Médio, e muitas vezes pouco preparados para o formato dos vestibulares. Quanto mais detalhado seu comentário for, mais o ajudará a entender o que precisa ser mudado. Atente-se às nomenclaturas, que tendem a ser um desafio para os alunos. Por exemplo, se o aluno comete o erro de deixar o “sujeito preposicionado”, explique o que isso significa e instrua-o sobre como mudar. Simplifique! 😉

Concursos

Pensemos agora nos candidatos aos concursos. Sabemos que as provas estão em um nível elevadíssimo de exigência, fazendo com que esses candidatos também esperem bastante rigorosidade nas correções, afinal, serão avaliados dessa forma e querem estar preparados. Seja incisivo em relação ao erros, explique por que são tão graves e dê sugestões que como esse candidato irá garantir que esses equívocos não se repitam. Quanto à atribuição de notas, a famosa “mão pesada” é esperada. Tenha certeza do que está sendo cobrado, siga os critérios da banca corretora de cada concurso e atente-se à pontuação dada.

Ensino Fundamental

Os alunos do Ensino Fundamental estão em sua fase de construção dos saberes para a plena escrita. Ao corrigir o texto desses estudantes, um apontamento como “introdução vaga” deixa mais vaga ainda a noção do que deve ser modificado. Mais uma vez, seja específico. Por que ficou vago? Explique.

Além disso, é importante estimular esses alunos à escrita. Valorize os aspectos positivos do texto, elogie o que deu certo,  indique como aquilo que não funcionou pode ser reformulado para atender a determinadas exigências. É importante que eles não fiquem com a sensação de que o texto produzido é completamente inválido. Demonstre que as ideias são interessantes, mas que precisam ser aprimoradas para atender a alguns critérios importantes.

Um aspecto que também não é viável é o uso de palavras extremamente rebuscadas. O aluno tem que compreender o apontamento de forma objetiva. Imagina ter que pesquisar os termos que você usou para explicar um erro ou acerto? Seja simples quanto às palavras. Elaborado, porém simples. 😉

Por exemplo, em situações em que a “estrutura sintática” está incorreta, pense em formas de modalizar essa instrução, pois os alunos ainda estão aprendendo a identificar os termos da oração.

Portanto, diga onde está o erro,

¹ sujeito

² verbo

³ predicado

indique de maneira breve o que eles são

¹ pessoa/objeto que sofre ou realiza uma ação

² palavra que exprime uma ação

³ característica/qualificação do sujeito da oração

e o que é necessário mudar.

  • O sujeito “João” deve concordar em gênero (masculino) e número (singular) com o verbo: João falam alto (errado). João fala alto (certo).

Que sejamos peças relevantes para a construção de conhecimentos e aperfeiçoamento da escrita de cada um desses estudantes. Capriche na correção!

Vamos debater sobre?