TEMA DE REDAÇÃO: ESTATUTO DO DESARMAMENTO E A VIOLÊNCIA ENDÊMICA NO BRASIL

Beatriz Kalil Othero Concurso Público

REDAÇÃO DE CONCURSO: ESTATUTO DO DESARMAMENTO E A VIOLÊNCIA ENDÊMICA NO BRASIL

Leia atentamente os textos abaixo.

Texto I

“O debate sobre o desarmamento no Brasil é fortemente contaminado por seus defensores, que mais trabalham com rótulos e desqualificação de seus adversários do que com a verdade e princípios. Eles têm como objetivo passar a mensagem de que estão certos, por mais que transgridam valores e manipulem as estatísticas a seu bel-prazer.

Já na própria colocação do problema, os parlamentares que defendem aliberdade de escolha e o direito à autodefesa são tidos por representantes da “bancada da bala”. A perversão é total. Note-se que a liberdade de escolha e o direito à autodefesa são pilares de uma sociedade livre e democrática. Não se trata de nenhum direito de matar, mas do direito de conservação da própria vida.

Os que advogam pelo desarmamento dos cidadãos almejam que o cidadão fique completamente desguarnecido diante de criminosos que invadem suas residências. Os cidadãos não escolhem seus representantes para que estes suprimam sua liberdade de escolha. Posso perfeitamente pretender não ter nenhuma arma, mas isso não significa que o meu direito deva ser abolido”.

Denis Rosenfield – Professor de filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Publicou os livros: Descartes e as peripécias da razão (1996) e Justiça, democracia e capitalismo (2010), entre outros.

Texto II

“(…) O Estatuto do Desarmamento é um instrumento importantíssimo na proteção da vida, bem maior do ser humano. Escrevo esta defesa como uma opinião técnica de um delegado da Polícia Federal amparado pela experiência no Rio de Janeiro, onde há uma cultura das armas. As apreensões em números cada vez maiores realizadas pelas nossas polícias estão aí para ratificar a necessidade do Estatuto do Desarmamento.

De acordo com o Instituto de Segurança Pública, apenas no primeiro trimestre deste ano, foram apreendidas no Rio 2.441 armas, entre fuzis, revólveres, pistolas, espingardas, escopetas, rifles, carabinas e metralhadoras. O acesso fácil às armas ilegais nos causa inúmeras tragédias. Não poderia deixar de lembrar o massacre de Realengo, no qual uma pessoa portadora de sérias perturbações mentais executou 12 crianças com um revólver calibre 38.

A arma foi adquirida em uma transação ilegal, que envolveu o assassino, um vigia desempregado e 12 um chaveiro. O Rio de Janeiro apoia o Estatuto do Desarmamento. A prova disso foram as várias campanhas feitas para entregas voluntárias de armas de fogo e munições.

É muito claro: armas devem ser usadas por quem tem habilitação para isso, que são as forças policiais, e sempre no estrito cumprimento do dever. A sociedade civil precisa entender que ter uma arma em casa não apenas fornece uma falsa sensação de segurança, como, não raro, pode acabar parando nas mãos de alguém que, não habilitado para seu uso, acaba cometendo um crime. Inclusive contra o dono dessa arma (…)”.

José Mariano Beltrame – Revista Época. 24 abr. 2015. Disponível em: https://epoca.globo.com/ideias/noticia/2015/04/devemos-liberar-armas-nao.html


Com base nos fragmentos, produza um texto dissertativo-argumentativo que extrapole seu ponto de vista sobre o tema.

Vamos debater sobre?