Redação: Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Roberta Rinaldi Exemplo de redação

“Os sofrimentos do jovem Werther”, escrito no século XVIII, é um clássico da literatura mundial, cuja história retrata a vida de um adolescente que, após um fracasso amoroso, desencadeou uma série de sentimentos de tristeza, os quais estimularam o indivíduo a retirar a própria vida. Tal obra foi tão impactante, no cenário da época, que impulsionou uma onda de suicídios, a qual foi denominada “Efeito Werther”. De maneira análoga, quando se observa o aumento do autocídio juvenil na sociedade brasileira atual, percebe-se que esse ideal literário está próximo da realidade nacional. Nesse sentido, é fundamental entender as causas do problema [2] a fim de prevenir a situação. [1]

Em primeira instância, é preciso analisar como a padronização, imposta pela sociedade moderna, ocasiona entraves ao processo de prevenção ao suicídio entre os jovens do país. De fato, atualmente, criou-se uma ditadura da felicidade, na qual sentimentos humanos elementares, como a angústia e a tristeza, são repelidos, sendo, inclusive, passíveis de medicalização. Desse modo, a mentalidade simplista de tratar as emoções com medicamentos reflete o desinteresse da comunidade médica em discutir e tratar as causa do autocídio na menor idade, fato que contribui para o silenciamento do assunto. Dessarte, a visão compartilhada de que a autoviolência é motivo de vergonha ou condenação comprova a ausência de laços e redes capazes de proporcionar o acolhimento ao sujeito e a sua aflição. Sob essa ótica, o sociólogo Émile Durkheim expõe que o suicídio é resultado do meio que circunda o ser, sendo potencializado pelo tabu e pelos estereótipos associados à problemática. [3]

Ademais, a postura dos principais agentes de conscientização ocasiona entraves ao processo de prevenção entre os jovens. De fato, são ínfimos os programas televisivos que retratam a autoviolação [4] uma vez que, ainda, a mídia possui receio do “Efeito Werther”, isto é, medo de que, ao falar do assunto, possa desencadear reações de autoviolência por comportamentos miméticos. Outrossim, as instituições educacionais omitem-se do papel de formação dos jovens, na medida em que, muitas vezes, não têm profissionais para oferecer suporte psicológico aos menores e para debater acerca de doenças psicossociais, como a depressão e a ansiedade. Por conseguinte, o suicídio é abordado com displicência na comunidade, fato o qual corrobora para a banalização e para o descaso da situação, dificultando inúmeros adolescentes a buscarem assistência profissional. Tal fenômeno é alarmante no Brasil [4] haja vista que 90% dos casos de suicídio podem ser evitados quando há oferta de auxílio, segundo a OMS. [5]

Portanto, torna-se evidente a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, é dever da mídia promover a desmistificação do autocídio, por meio de novelas, documentários e reportagens, os quais retratem, de maneira fidedigna, a seriedade das doenças psicossocial, com o intuito de reduzir os estereótipos e o silêncio em relação ao assunto [8] a fim de estimular os jovens a procurarem auxílio médico. [8] Outrossim, é papel das instituições educacionais, em conjunto com o Ministério da Saúde, minimizar o suicídio na menor idade, por meio da promoção de campanhas de prevenção direcionadas ao público juvenil, além de contratar profissionais especializados, os quais ofereçam suporte, com o objetivo de ofertar o tratamento adequado, garantindo as integridades físicas e psicológicas  dos jovens. Talvez, assim, possamos evitar que mais jovens tenham o mesmo fim que o jovem Werther. [6][7]

Avaliação por competência:

Competência I – Demonstrar domínio da norma culta:

[2] Usa-se vírgula para separar conjunções finais no interior das frases. Ex: a fim de que, para que, de modo que, de sorte que, de maneira que, de forma que.

[4] Faltou vírgula.

Competência II – Compreender a Proposta:

[6] Compreendeu a proposta e demonstrou domínio do gênero dissertativo-argumentativo.

Competência III – Selecionar e relacionar argumentos:

[1] Introduziu bem, apresentando o tema e a tese de forma adequada.

[3] Apresentou bem as informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto, de forma consistente e organizada, configurando autoria, em defesa de um ponto de vista.

[5] Apresentou bem as informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto, de forma consistente e organizada, configurando autoria, em defesa de um ponto de vista.

Competência IV – Conhecer os mecanismos linguísticos para a construção da argumentação:

[8] Busque sinônimos para não repetir termos ao longo do texto.

Competência V – Elaborar a proposta de solução para o problema:

[7] Foram resolvidos todos os problemas apresentados na argumentação e, ainda, houve compreensão do que é necessário conter na proposta de intervenção. É importante sempre pensar nesses aspectos, apresentando soluções, seguindo o que foi abordado nos argumentos, de forma detalhada, dizendo o que fazer, como fazer, os meios para fazer e quem irá participar da proposta.

Nota: 960

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