Como apresentar dados na redação

Roberta Rinaldi Dicas de Redação

Os corretores estão sempre cobrando a apresentação de mais dados na redação. Por isso, já te indicamos onde pesquisar (5 SITES CONFIÁVEIS PARA PESQUISAR DADOS) e, também, o que não fazer (CUIDADO COM DADOS FAKE NEWS). Mas e quanto ao como apresentar dados na redação: você sabe? Pensando na importância de enriquecer seu texto com essa estratégia, elaboramos este post, afinal, queremos prepará-lo para se dar bem no Enem. Portanto, confira agora como apresentar dados na redação. 

  • O que são dados?

Dados são informações, conjuntos de fatos e conhecimentos. Dessa forma, podem ser estatísticos, pesquisas, depoimentos de pessoas especializadas em determinado assunto ou alusões históricas, por exemplo.

  • Qual é a relevância de apresentá-los na redação?

Quando eles vêm de fontes confiáveis, servem como base estratégica para comprovar seus argumentos na produção. Como o objetivo do seu texto é convencer o leitor/corretor de que sua ideia é válida, os dados dão a ela credibilidade, por isso é fundamental selecioná-los bem.

  • Onde devemos apresentar esses dados?

Não há uma regra fixa, pois o Enem não delimita um espaço próprio para a colocação de dados no texto. Seguindo a ordem de todas as demais intenções na produção, é necessário que, de forma simples, você analise em qual posição ele terá mais relevância, destaque e, consequentemente, seja coerente. Veja um exemplo retirado de uma redação sobre o tema do Enem 2017 (Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil):

Outro aspecto a ser discutido são os cursos de licenciatura, voltados para a formação do profissional que atuará como professor, que apresentam uma defasagem no ensino de metodologias que respeitem a condição de pessoas com deficiências, como os surdos. Devido a isso, os docentes não são aptos a atender às necessidades específicas desses alunos, o que acaba os desmotivando. Como consequência disso, as taxas de evasão escolar crescem. Em 2010, o Censo apresentou dados que apontam que 61% das pessoas com deficiência com 15 anos ou mais não possuem o ensino fundamental completo ou não tiveram acesso a qualquer nível de instrução. Tal problemática representa um grave retrocesso.

Este é um parágrafo de desenvolvimento, o terceiro da redação em questão (veja o texto completo AQUI). O dado, ao final, destacado em negrito, é de uma fonte confiável (Censo = principal fonte de referência para o conhecimento das condições de vida da população em todos os municípios do Brasil por meio do IBGE). Além disso, ele justifica a crítica feita: crescimento das taxas de evasão escolar como consequência da defasagem na formação dos profissionais licenciados.

Assim, percebe-se que houve um propósito para a apresentação da ideia, sendo considerada, portanto, como um uso produtivo de repertório na argumentação.

  • Veja dados sobre alguns temas para usar na redação

Tema: Objetificação da mulher na publicidade
  • Segundo dados de uma pesquisa feita pelo Instituto Patrícia Galvão e Instituto Data Popular, 84% dos respondentes concordam que o corpo da mulher é usado para a venda de produtos nas propagandas de TV, mas apenas 58% entendem que a mulher é representada como objeto sexual nessas campanhas.
  • Uma pesquisa publicada na Psychological Science em 2013 mostra que há uma tendência de as mulheres que apresentam altos níveis de auto-objetificação serem, consequentemente, menos ativas socialmente.
  • Segundo dados de um estudo realizado pela agência Heads Propaganda, apenas 5,13% dos comerciais empoderam mulheres. Isso significa, portanto, que cerca de 21 milhões de reais do investimento em mídia são gastos com peças que reforçam estereótipos de gênero.

Veja a proposta do tema AQUI para treinar.

Tema: Como lidar com o medo atômico
  • A Convenção de Armas Químicas (CAQ), como também ficou conhecido o tratado assinado em Paris, determina a proibição total da preparação, fabricação, armazenamento e uso das armas químicas. Tendo entrado em vigor em 1997, foi assinada por 191 países após muitas negociações.
  • De acordo com dados do Instituto de Pesquisas para a Paz de Estocolmo (SIPRI), as armas nucleares estão em poder de nove países. Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido, Índia, Paquistão, China, Israel e Coreia do Norte armazenavam no começo de 2017 quase 15.000 dispositivos desse tipo.

Veja a proposta do tema AQUI para treinar.

Tema: O histórico desafio de se valorizar o professor
  • Segundo dados do INEP, por meio do Censo Escolar e do Ministério do Trabalho, 99% dos professores brasileiros ganham em média menos de R$ 3,5 mil.
  • Dados do Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp) apontam que o Brasil corre um sério risco de ter um “apagão de professores”. O número de alunos que ingressam em cursos de licenciatura presenciais caiu 10% entre 2010 e 2016. Nesse mesmo período, o número de concluintes dos cursos de licenciatura caiu 7,6%.
  • Segundo dados do movimento Todos pela Educação, professores de nível superior recebem o equivalente a 54,5% do que ganham outros profissionais com o mesmo nível de formação.

Veja a proposta do tema AQUI para treinar

Tema: Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
  • Segundo dados do Instituto Paulo Montenegro e da ONG Ação Educativa, no Brasil, apenas 8% das pessoas em idade de trabalhar têm plenas condições de compreender e se expressar, ou seja, oito a cada grupo de cem indivíduos da população.
  • Em 2012, o Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa divulgaram o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf) entre estudantes universitários do Brasil. O resultado alarmante define que o número chega a 38%, o que reflete a formação de profissionais que não são realmente capacitados, uma indicação do sucateamento das universidades do país e da educação de básica ainda precarizada. Ou seja, quase a metade das pessoas que concluem nível superior no Brasil não dominam plenamente a escrita e a leitura de textos mais longos ou complexos, o que implica na atuação profissional posterior.

Veja a proposta do tema AQUI para treinar.

Gostou? Então é hora de aplicar esses conhecimentos em sua redação.

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