A eficiência da política antidrogas brasileira

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    Em meados da década de 1910, eclodiu no Rio de Janeiro a revolta da vacina. O governo brasileiro, buscando combater a proliferação de doenças e pequenos furtos que ocorriam na cidade, expulsou famílias carentes do centro carioca. Nesse momento, houve aumento no processo de favelização e, passados cerca de 110 anos, a violência cresceu consideravelmente tanto no Rio de Janeiro quanto no Brasil como todo. Esse fato histórico mostra que a repressão não é a melhor maneira de combater o crime e isso faz com que o Estado brasileiro tenha uma política ineficiente no combate ao tráfico de drogas e a violência em geral.
     De acordo com o doutor em direito penal da USP Luiz Guilherme Paiva, o Brasil é ineficiente no combate ao tráfico de drogas, visto que persegue os microtraficantes e não afeta o mercado bilionário de entorpecentes. Logo, a declaração do professor da Universidade de São Paulo indica que o governo brasileiro combate o tráfico de maneira seletiva, visto que a justiça do país condena os pequenos traficantes, mas é ineficaz na perseguição às pessoas que têm altos lucros com esse mercado ilegal.
     Sabe-se que um dos principais motivos que levam os jovens a consumir e traficar drogas é a falta de oportunidades e consequentemente os baixos índices de ascensão social no país. O sistema educacional público do Brasil é deficitário e isso apresenta-se como limitador de oportunidades para as pessoas, principalmente as de baixa renda. Nesse sentido, muitas crianças e adolescentes encontram no comércio ilegal de drogas uma maneira de ganhar dinheiro e com isso ter acesso a bens e objetos que o sistema legal os limita de possuir.
     Além disso, entende-se que o fato de o Estado brasileiro considerar o tráfico de drogas um tópico de segurança pública inviabiliza a resolução desse problema. Compreende-se que as principais vítimas desse mercado ilegal são os usuários que, por possuir vícios, não têm autocontrole e consomem os entorpecentes. Logo, o comércio ilegal de drogas no Brasil deve ser um tópico de saúde pública, visto que com o tratamento dos usuários haverá diminuição nos lucros dos traficantes e queda do tráfico.
     Portanto, conclui-se que o Brasil é ineficiente no combate ao tráfico de drogas. O governo brasileiro deve aumentar a porcentagem do PIB destinada à educação, oferecendo mais cursos técnicos e bolsas em universidades à população carente do país. Além disso, devem ser ampliados os investimentos em saúde, para que haja construção de novos locais de tratamento dos vícios e que assim os usuários possam combater suas doenças. Com essas ações, tanto o número de jovens que ingressam no crime quanto os usuários diminuirão, causando danos econômicos e estruturais aos grandes traficantes e diminuindo os índices de violência do Brasil.