A eficiência da política antidrogas brasileira

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    Em 1977, Geisel, o então presidente do Brasil, promulgou o acordo sul-americano de estupefacientes e psicotrópicos, no intuito de combater o uso indevido e a comercialização ilícita dessas substâncias. No entanto, a recente política antidrogas adotada pelo Executivo Federal além de cara, tem sido ineficaz, o que se deve, entre outros fatores, a falta de investimento em prevenção e de tratamento dos dependentes químicos.
      Segundo Adaylton Almeida, formado pelo DEA (Departamento de Drogas dos EUA), a chave para controlar o tráfico e o uso de entorpecentes é reduzir a demanda, dessa forma, prevenir e educar deveriam ser uns dos principais enfoques do plano nacional de combate às drogas. No entanto, observa-se que o governo prioriza o investimento em medidas meramente repressivas, como a “destruição” da cracolândia em São Paulo ou fomento das UPP’s no Rio de janeiro, enquanto as campanhas educativas costumam ser ações isoladas, superficiais e fora do contexto. Frise-se: reprimir é importante, mas não suficiente, tanto que nos últimos anos o número de pessoas presas por tráfico aumentou no país.
      Ademais, antes de travar uma “guerra contra as drogas”, o Estado deveria reconhecer a existência de um problema de saúde pública que, além de prevenção, tem tratamento. Essa foi a política adotada pelos EUA, onde, em vez de cumprir pena, os acusados por uso ou porte de drogas participam de programas terapêuticos, que resultaram na reabilitação completa de oito em cada dez dependentes. Nesse sentido, investir em acompanhamento médico é uma estratégia equilibrada e eficiente.
       Nessa lógica, para melhorar a eficácia da política antidrogas é necessário que o executivo federal implemente campanhas que não se limitem a dar informações simplistas do tipo “não à droga”, mas eduquem a população de fato, transmitindo um amplo conhecimento sobre o tema. Além disso, o Ministério da Saúde deveria investir em programas de tratamento, podendo estabelecer incentivos financeiros às clinicas de reabilitação que obtivessem melhores resultados em avaliações periódicas.