A eficiência da política antidrogas brasileira

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    O geógrafo Milton Santos afirmou que a globalização possui um lado perverso, uma vez que, na sociedade contemporânea, os miseráveis são culpados pela própria miséria. Nesse sentido, é evidente que a perpetuação do tráfico de drogas no Brasil é atribuída sempre aos moradores das favelas. Dessa forma, é necessário questionar a eficiência da política antidrogas brasileira e analisar os erros que contribuem para a perpetuação de um problema não só político, mas também social.
     Sob esse viés, é válido ressaltar, a priori, as múltiplas facetas e agentes de tal problema. É indubitável que o tráfico de drogas tem atores como policiais corruptos, milícia e políticos que ganham dinheiro ilegalmente e de forma pouco suspeita por meio dessa prática. Entretanto, a mídia culpa exclusivamente os moradores de periferias, tratando-os de forma perjorativa, como marginais ou delinquentes. Isso corrobora a visão de Milton Santos e dificulta a extinção do tráfico de drogas no Brasil, já que os pilares de sustentação desse crime não são revelados e nem presos.
     Em segunda análise, convém evidenciar o mal-estar da pós-modernidade como agravante da difusão das drogas no território brasileiro. Numa sociedade hedonista, alguns indivíduos procuram nas drogas a fuga para a realidade pessimista em que vivem. Concomitantemente, a fluidez das relações interpessoais e o consumismo, conforme defendeu Zygmunt Bauman, contribuem para a priorização dos interesses individuais e a transformação do cidadão em mercadoria, respectivamente. Dessa maneira, o indivíduo, escravo das drogas, fica dependente e é levado a buscar, incessantemente, diferentes maneiras de consegui-las para saciar o seu vício. 
     Torna-se evidente, portanto, que a política antidrogas brasileira possui obstáculos a serem vencidos para sua total efetividade. Dessa forma, cabe à sociedade exercer o seu papel, de forma a pesquisar, criticar e denunciar os agentes obscuros que participam do tráfico de drogas e não são revelados pela grande mídia. Ademais, é necessário que o poder público fortaleça as políticas de tratamento e reinserção social de dependentes químicos, por meio de assistência especializada de clínicas, a fim de extinguir seu vício. Dessarte, a prática efetiva dessas medidas promoverá a máxima eficácia da política antidrogas e a erradicação do tráfico de drogas no Brasil.