A eficiência da política antidrogas brasileira

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    A icônica cena de combate entre os dois protagonistas do filme que herda seus nomes, Batman vs. Superman, lançado em 2016, produz no espectador uma sensação não somente de expectativa, mas também de frustração notar-se que o real inimigo, Lex Luthor, sai ileso. Apesar de na vida real não serem vistas batalhas entre super-heróis, é possível ver um enredo semelhante: o Estado travando embates somente contra as consequências do problema, como os microtráficos locais, enquanto as verdadeiras causas, os investidores milionários e usuários, saem despercebidos, situação que compromete com veemência a eficácia de políticas públicas antidrogas. Cabe, desse modo, uma reanálise estrutural acerca dos desafios no combate ao uso de entorpecentes no Brasil. 
        Em princípio, é fundamental ressaltar a relação diretamente proporcional entre oferta e demanda de narcóticos. Artifícios legislativos que isentem usuários de punição, ainda que pequena, se mostram conjunturalmente incoerentes, uma vez que o mercado consumidor é um único motivo da existência do tráfico. A compra e venda de drogas, por sua vez, tem por corolário o ciclo de violência urbana, o crescimento do número de dependentes químicos e a rotação de dinheiro sujo.
         Nesse sentido, é válido mencionar que os maiores depositores de capital no comércio de drogas são grandes empresários, responsáveis pelo transporte internacional e distribuição. Raramente penalizados, levam o Brasil a ocupar o título de principal rota do tráfico de cocaína na América Latina, movimentando até mais de 4 bilhões anualmente, segundo o jornal Hoje em Dia. Grande exemplo dessa impunidade é o famoso caso do helicoca, de 2013, no qual aproximadamente meia tonelada de pasta base foi encontrada sendo transportada, tendo grandes nomes da política brasileira envolvidos e sem grandes prejuízos aos responsáveis. 
        É notória, portanto, a imprescindibilidade de medidas de prevenção dentro de escolas, por meio de palestras informativas e campanhas antidrogas, como o PROERD (Programa Educacional de Resistência às Drogas), promovidas pelo Ministério da Saúde, em consonância com o Ministério da Educação. Também fazem-se necessários investimentos em políticas de tratamento e reintegração social, através de incentivos ao esporte, a fim de reduzir as chances de reincidência e fornecer novas perspectivas de vida. Além disso, é fundamental que o Governo Federal amplie os investimentos voltados ao controle de fronteiras, exercido pelas Forças Armadas, a fim de alcançar uma possível redução das atividades ilegais em solos tupiniquins. Dessa forma, será possível contornar os danos causados pelo uso e circulação de entorpecentes, atribuindo as devidas culpas aos antagonistas da problemática, diferentemente do transcorrido na ficção.