A eficiência da política antidrogas brasileira

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    Segundo Zigmunt Bauman, sociólogo polonês falecido em 2017, a velocidade é a principal marca das sociedades atuais. Diante disso, a rapidez que caracteriza a pós-modernidade afeta negativamente diversos aspectos da vida cotiada, dentre eles, a eficiência da política antidrogas no Brasil. O uso das drogas é um problema crescente no país. Por um lado, o tráfico é responsável por um grande aumento na criminalidade, contribuindo com o incremento da taxa de homicídios e outros crimes, e por outro, é um problema de saúde pública, quando se leva em conta os usuários que muitas vezes se tornam dependentes químicos e necessitam de um tratamento e atenção adequados. 
          O tráfico de drogas é um problema que deve ser levado com a máxima seriedade na sociedade brasileira. A principal inovação na promulgação da Lei de Drogas em 2006 foi a distinção entre usuário e traficante. Ao usuário, o tratamento dado é brando, sendo vedada a prisão e o enfoque é em medidas educativas. Para aquele que trafica drogas, o crime é apenado com reclusão, podendo chegar a 15 anos. Entretanto, é sabido que o traficante não comete somente este crime. Ao tráfico de drogas estão associados milhares de homicídios, roubos, latrocínios, lavagem de dinheiro, guerras de facções, dentre outros crimes, que são responsáveis não só pelo aumento da criminalidade, como também ceifam a vida de pessoas inocentes. 
          A Lei de Drogas e seu tratamento diferenciado ao usuário no Brasil vem de uma tendência mundial que caminha para a descriminalização. Atualmente, em torno de 36 países despenalizaram, descriminalizaram ou legalizaram o uso de drogas, sobretudo a maconha. Essas ações ajudam a enxergar o dependente químico como uma pessoa doente, e não como um delinquente, como muitas vezes ocorre com os usuários de baixa renda, que comumente são moradores de rua dos grandes centros urbanos espalhados pelo país. O dependente necessita de um apoio especial, através de uma política de redução de danos, e não de uma repressão por parte do Estado. 
          A sociedade precisa se unir para tomar decisões corretas na política de enfrentamento contra as drogas. Uma possível legalização precisa ser discutida pelo Governo Federal, juntamente com pessoas capacitadas tais como médicos e psicólogos, que ajudem a entender qual o melhor caminho a ser tomado. As pessoas que traficam drogas e fazem deste seu meio de vida precisam encontrar outros caminhos que não o da criminalidade. Também é de suma importância a atenção aos usuários, que devem ser um foco de ação do Ministério da Saúde, que deve fazer campanhas de combate as drogas, educar as pessoas sobre seus riscos e ajudar o Governo a cuidar dessas pessoas corretamente, com um tratamento individualizado, que os ajude a sair dessa condição.