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    Segundo o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, "para a maioria dos homens, a vida não é outra coisa senão um combate perpétuo pela própria existência, que ao final será derrotada". Tal frase descreve a realidade de grande parte das pessoas que utilizam drogas no Brasil, já que tais práticas estão ligadas, principalmente, a instabilidades emocionais, o que, de fato, representa uma luta constante contra a própria vida. Nesse sentido, vê-se que a atual postura governamental brasileira desconsidera, equivocadamente, o uso de entorpecentes como uma questão social e de saúde pública, o que requer soluções.
    Em primeiro plano, é válido destacar a prioridade dada pelo Estado ao combate ao tráfico de drogas, mas não ao cerne do impasse: o alto índice de consumo dessas substâncias no Brasil. Dessa forma, é perceptível que o que é interpretado pelo Poder Judiciário como êxito-como a apreensão de grande porte de alucinógenos e a detenção dos criminosos- não surte efeito prático no meio coletivo. Esse quadro de insucesso é observado pois, enquanto houver procura, o comércio ilegal de entorpecentes será contínuo. Assim, é imprescindível que o diálogo e o investimento no tratamento dos dependentes químicos sejam mais efetivos do que a tomada de medidas violentas, pois, parafraseando o cientista Albert Einstein, "a paz não pode ser obtida pela força, mas sim pela concórdia".
     Outrossim, deve-se pontuar a falha Justiça nacional no que diz respeito à distinção entre traficantes e usuários de drogas. Com efeito, percebe-se que a análise meramente subjetiva empregada no tribunais do país, que  comumente considera a origem, classe social e, inclusive, a etnia dos indivíduos julgados, mostra-se desigual e discriminatória, punindo em excesso aqueles que apenas fazem uso de alucinógenos. Consequentemente, encontram-se nas cadeias brasileiras pessoas que, vítimas da marginalização, pagam penas muito altas por atos não tão graves quando comparados às grandes transações que envolvem o comércio de entorpecentes, o qual também é praticado com frequência por membros das classes média e alta.
    Fica clara, portanto, a necessidade de superação do atual panorama que envolve os altos índices de consumo de drogas no Brasil. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Saúde intensificar as campanhas de conscientização quanto ao uso dessas substâncias, bem como ampliar os programas de tratamento aos dependentes químicos. Tal medida deve ocorrer em parceria com as mídias sociais e televisivas por meio da divulgação de campanhas publicitárias, com objetivo de alertar a população sobre as consequências onerosas da utilização de entorpecentes e os males que esses provocam à saúde. Só assim, de forma pacífica, tal quadro será suplantado definitivamente no país.