Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

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    Como resultado de muitos anos da grande influência do patriarcado na construção social das pessoas, o assédio sexual às mulheres tornou-se algo corriqueiro e banalizado na sociedade. Segundo o Datafolha, cerca de 42% das mulheres brasileiras acima dos 16 anos afirmam já terem sido alvo de assédio, o que mostra que é uma parcela muito significativa e preocupante para ser ignorada, e isso se deve em parte à omissão do governo em não combatê-lo de forma correta e à falta de atualização das leis e suas implementações nos tempos atuais. É essencial um debate acerca dessa problemática e a tomada de ações que visem sua redução ou fim.
          Inicialmente, é necessário que haja um entendimento de que mulheres não são culpadas por sofrerem assédio e que atos por parte dos homens, aparentemente inocentes, como cantadas e toques, podem ser danosos e criar um eterno ciclo de objetificação à mulher. Exemplo disso é a forma como muitas mulheres são desencorajadas a denunciarem com medo de não serem ouvidas por acharem que estão exagerando e confundindo elogios e gestos carinhosos com assédio ou abuso, havendo, então, um descaso do governo em não promover nas comunidades e escolas medidas educacionais que ajudem a evitar tais problemas. Portanto, é importante o combate aos frutos da ideia de submissão das mulheres, que faz com que sejam vistas como propriedades e que tenham seus locais de fala desvalorizados, devido à uma naturalização dos assédios ainda enraizada na sociedade contemporânea.
          É importante salientar também que a justiça deve ser melhor aplicada para que não haja descaso com mulheres que sofrem diariamente com esse problema. Um caso de 2017, em que um homem foi detido em flagrante por ter ejaculado na perna de uma mulher no transporte público, sendo solto logo em seguida por não ter havido constrangimento, segundo a decisão de um juiz, reforça a falta de maior conscientização por parte do poder judiciário. Então, é evidente a necessidade de atualização das leis às novas demandas, com base na visão atual de normas e valores, pois o poder judiciário e legislativo também dá brecha para que assédios se perpetuem numa sociedade que clama mais do que nunca por suas funções.
          Torna-se claro, assim, a urgência em promover debates e campanhas que tenham como função o combate ao assédio. Cabe ao governo, aliado aos poderes judiciários e legislativos, implementar medidas que diminuam ou corrompam o ciclo de objetificação e inferiorização da mulher por meio de palestras educacionais, leis mais rígidas e proporcionais ao tamanho e frequência dos assédios, assim como suas aplicações, e também promover movimentos envolvendo pessoas públicas, a fim de atingir uma maior parcela da população, encorajar as denúncias e reduzir os assédios sexuais.