Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

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    Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis diz em suas "Memórias Póstumas" que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da miséria do ser humano. Possivelmente hoje ele perceberia o quão certa foi sua decisão: O homem procura um alguém para justificar os seus erros. Com isso surge a problemática de como mudar uma sociedade com pensamento misógino.
      Mormente, por um contexto histórico os homens atribuem a mulher tudo que é ruim. Tenha-se como exemplo no contexto bíblico Adão e Eva, onde Eva é culpada pela expulsão de ambos do paraíso. Nesse ínterim, o pré-conceito de culpar o sexo feminino pelos erros, não mudou tanto assim, pois, ainda existem pessoas que em caso de abuso sexual ou assédio afirmam que a culpa é da vítima, e que o homem apenas seguia o extinto dele.
      Note-se, que em pleno século XXI, é possível ouvir o pacato discurso de que existem mulheres que merecem ser violentadas, porque para o homem tomar a atitude de cometer tal ato, com certeza  a pessoa estava "pedindo". Desde pequenas as meninas aprendem a como se sentar, como não se vestir e coisas do tipo só para não alimentar o maníaco desejo sexual do sexo oposto, e evitar que algo de pior aconteça. Como se não bastasse, são ensinadas que o elogio na rua vindo de um desconhecido é sinônimo de beleza, e que nunca uma garota deveria questionar um homem que mexesse com ela na rua, pois para isso acontecer a mesma o provocou, seja pelas roupas ou maquiagens que usava, e por mais que não tivesse a intenção de chamar a atenção do rapaz ou senhor, a culpa sempre vai ser dela. O Brasil tem essa cultura patriarcal de naturalizar o assédio que vem de berço, e com isso fica extremamente difícil mudar este cenário de violência pois até mesmo as massas que são contra esse comportamento ultrapassado, se sentem desestimulados a lutarem contra, pois existe uma sociedade majoritária a favor. Como dizia o pastor Martin Luther King Jr. : "O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons."
      Infere-se, portanto que o assédio é algo intrissecamente ligado a realidade de milhares de mulheres brasileiras desde a infância. Sendo assim cabe ao governo Federal incentivar campanhas conscientizadoras em locais de ampla visualização para que seja possível uma reflexão e assim quem sabe uma mudança no pensamento machista de boa parte da população brasileira. Ademais, será também de sua responsabilidade incrementar as leis de forma rígida que punem os assediadores afim de atenuar tal delito, além de delegacias especializadas para atender com prontidão às vítimas de assédio. E assim poder-se-à transformar o Brasil em um país desenvolvido socialmente, e criar um legado de que Brás Cubas se orgulharia.