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    Em conformidade ao sociólogo Zygmunt Bauman, embora a sistemática capitalista global tenha configurado um vértice de alienação "progressista", seu caráter subjetivo constitui um paradigma porquanto seus consequentes mecanismos entre as relações comunais. Destarte, um reflexo contemporâneo correlaciona-se ao pressuposto da "modernidade líquida", em que tal parâmetro destitui a fixidez das relações socioeconômicas, políticas e, especialmente, interpessoais. Assim, a problemática se traduz através de um simulacro social, diante da desestruturação moral presente nos casos de assédio sexual, bem como a sua manutenção perante uma hierarquia regada  a sua própria "animalização" e aos valores patriarcalistas, subsequentes à estigmatização e disparidades sociais, de maneria a se verticalizar por meio do descaso jurisprudencial para com a cultura do estupro.
      A partir dos princípios do "bom selvagem" de Rousseau, o ser humano é, natural e intrinsecamente bom, porém, é corrompido pelo seu meio de convivência. Logo, a conjuntura está arraigada desde as civilizações primordiais, mantidas por lastros jurídicos e religiosos, onde o homem se alicerçou por noções de superioridade; enquanto que a mulher, pelas relações submissivas; expressas em culturas hindus e cristãs e até mesmo em conceitos aristotélicos interligados à alternância de poder e direito à igualdade - o que se agravou com a Revolução Industrial, as desigualdades econômicas e seus ideais capitalistas pela inferiorização feminina no mercado de trabalho. Desse modo, o contexto vinculado às insinuações sexuais abrange, principalmente, manifestações ostensivas e criminalizadas, praticadas pelo público masculino às mulheres, frequentemente no âmbito laboral, familiar e nas ruas; como a persuasão verbal e a desmoralização individual, além da  objetificação do sexo e violência física. 
      Em contrapartida, sob a óptica de Thomas Hobbes, a animalização humana é homóloga à alegação de que "todo homem é um estuprador em potencial"; visto que sua personificação se dá pela teoria de que o homem é lobo de si mesmo. Entretanto, além do fato se apoiar na falácia da culpabilização da vítima, este não se consuma por uma via puramente biológica, mas sim sob o aspecto de que o estuprador é construído socialmente, no dia a dia, diante de que, segundo o Ipea, 70% dos alvos de abuso, no Brasil, são mulheres e crianças; o que configura a problemática do assédio como uma falibilidade da ordem vigente social governamental, educacional, bem como midiática.
       Portanto, como meio de amenizar significativamente e evitar os índices de perseguição sexual, corroborados pela liquidez cotidiana e padronização machista da comuna, é essencial a manutenção do poder público na segurança coletiva, a fim de solucionar os crimes por meio da eficiência dos canais de denúncia e fiscalização; aliado a investimentos educacionais em uma boa orientação ética e moral.