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    "Eu te peço perdão por te amar de repente, embora meu amor, seja uma velha canção aos teus ouvidos". O poema "Ternura", de Vinícius de Moraes eleva o ser feminino aos tempos de cantiga de amor - a mulher "rainha". Ao se tematizar sobre o assédio na sociedade contemporânea, a ternura deu lugar a desfiguração, a coisificação reduz a ideia de respeito. 
        Nesse contexto, um dos vetores reside na persistência de normas sociais que apoiam a superioridade masculina. Quando fita-se o mercado de trabalho, é perceptível a desigualdade de gênero, onde mulheres chegam a ganhar quase metade do que os homens recebem. Dessa forma, "machos" sentem-se súperos às "fêmeas", contribuindo assim para o crescimento dos casos de assédio. Como substrato disso, há um aumento diretamente proporcional de doenças psíquicas nas vítimas, como a depressão. 
         Outro condutor dessa mazela recai na alta tolerância ao crime e outras formas de violência. A filósofa Hannah Arendt exorta sobre a ideologia da "banalidade do mal", a qual se dissemina no imaginário coletivo, açulado pela crença de que não há instrumento que iniba os atos de embrutecimento em relação ao outro. Ou seja, é a "legalização" do errado, que deixa subentendido ao agressor que é um ato impunível. O produto de tal assertiva são inúmeros distúrbios nos relacionamentos sociais da padecente, como o aparecimento da antissociabilidade.
        Depreende-se, portanto, que é necessário ser tomada algumas intervenções. A escola pode colaborar com a instrução das crianças sobre esse tema, alertando e ensinando a importância do altruísmo e respeito à todos, por meio de didáticas especializadas, para servir como prevenção. O Estado deve zelar pela aplicação severa das leis de proteção da mulher, garantindo segurança às vítimas que procuram as delegacias e denunciam, afim de aumentar as denúncias. Logo, o Brasil poderá conseguir superar esse cenário aviltante e desonroso.