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    Cultura e Segregação: As Origens Que Reafirmam o Assédio Sexual 
          Desde 2006 vêm se tornando comum, nas metrópoles brasileiras, a existência de vagões, de trem e metrô, para exclusivos das mulheres, os "Vagões Rosa". A ideia, que visa reduzir os inúmeros casos de assédio sexual ocorridos no transporte, não foi de um todo efetiva, pois, em determinadas regiões, homens utilizaram os vagões e outros relatos surgiram. Nesse contexto, não há dúvidas quanto aos desafios no enfrentamento do problema, sendo de responsabilidade não apenas do poder público, mas, também, da consonante relação educacional entre família e escola.
          Sob essa ótica, o tangenciamento judicial, quanto a quais atos qualificam-se como assédio,alimenta e resguarda as práticas abusivas. Inegavelmente, esse é o reflexo da cultura patriarcal engessada, onde mulheres são educadas para servirem de adorno à masculinidade, e os homens para verem, nas mulheres, objetos que satisfaçam suas práticas hedonistas, desprezando o direito de escolha e poder de decisão sobre seus próprios corpos.
          Outrossim, ainda que a criação de espaços delimitantes diminuam o contato, em lugares específicos, entre homens e mulheres, o problema persistirá. Embora preserve a integridade física, a segregação espacial tende a relativizar a raiz do problema e, mais uma vez, a punir as mulheres, visto que tal medida propõe, nas entrelinhas, a culpabilização das vítimas e reafirma a errônea ideia  sobre os "incontroláveis instintos masculinos".
          Em síntese, visando a supressão dos desafios encontrados na redução do assédio sexual, medidas devem ser tomadas. Cabe ao judiciário aumentar a atenção dada às denuncias, ouvindo as vítimas, efetivamente, e permitindo-as a qualificação quanto ao dano causado, para que, assim, a situação posa ser devidamente avaliada e o agressor sofra as consequências cabíveis. À família, cabe ensinar as crianças - a base da sociedade futura - sobre igualdade de gênero e equidade de direitos, tornando-as assertivas e justas. À escola, cabe a promoção sociocultural de palestras com vítimas, por exemplo, e exibição de filmes que abordem o tema e evidenciem o sofrimento enfrentado pelas mulheres no cotidiano. Dessa forma, será possível, a longo prazo,  criar uma nova origem social, onde esses desafios poderão ser palpavelmente reduzidos.