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    Há dois objetos capazes de empoderar qualquer indivíduo: a pólvora e o teclado. Este último, no cenário de crise política atual, vem ganhando destaque por ser um instrumento que as pessoas utilizam para divulgar opiniões, fatos e dados. Diante disso, com o avanço da tecnologia, as informações passam a ter um alcance maior, fazendo com que vários cidadãos do globo recebam informes instantaneamente. No entanto, essa propagação de ideias em um ambiente de polarização ideológica tem causado problemas à sociedade, seja por causa do excesso de liberdade de expressão, seja pela concepção de superioridade de alguns sujeitos.
        Em primeiro plano, é essencial deixar claro que, de acordo com a Constituição Federal, todos os indivíduos possuem como direito a liberdade de expressão e pensamento, desde que vedado o anonimato. Sendo assim, as pessoas estão, através dessa prerrogativa, entrando em conflitos, pois, com a situação política brasileira em crise, pensamentos radicais acabam surgindo e, consequentemente, discursos de ódio e intolerância findam ganhando destaque nesse cenário. Vale ressaltar, exemplificando esse fato, o que aconteceu em 2016 com o site Porta dos Fundos, que sofreu ataques na internet por causa da ideologia partidária de um funcionário da empresa ser diferente da maioria do público espectador. 
          Sob essa ótica, o pluralismo político, previsto na Carta Magna, precisa ganhar destaque no contexto atual caótico de representatividade política e partidária. Embora o ministro Luís Roberto Barroso já tenha dito que tal princípio ocupa uma “posição de referência” com relação aos demais direitos fundamentais na Constituição, as pessoas em momentos de euforia acabam desrespeitando certos limites impostos pela Lei, gerando, então, através das divergências de pensamentos, a generalização de debates promovendo insultos, discriminações e agressões físicas e psicológicas, resultados bem distintos do que são propagados constitucionalmente.
         Fica claro, portanto, que, para contornar tais divergências políticas, faz-se necessário colocar em prática a propagação de um pluralismo político adequado. Com isso, as organizações não governamentais poderiam, mediante parcerias com as prefeituras, fornecendo lugares públicos para palestras e conferências, convidar especialistas do Direito para discursar sobre a importância do respeito aos limites de liberdade de expressão, a fim de fazer com que as pessoas passem a respeitar as diferentes ideologias e opiniões sociais, consolidando a ideia de democracia. Por fim, as mídias deveriam divulgar, por das plataformas digitais e físicas, a relevância dos distintos pontos de vistas para a sociedade, pois em um regime democrático o governo não é só da maioria, mas de todos.