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    Hegemonia cultural é um conceito que foi formulado pelo sociólogo Antonio Gramsci para descrever o tipo de dominação ideológica e cultural de uma classe social. Nesse contexto, desde o período de colonização brasileiro, os povos europeus definiram a cultura deles como a padrão, e todas as outras - Índios, africanos, e classes sociais menos favorecidas - foram banalizadas. Contudo, mesmo passados tantos séculos, isso se perpetua até os dias atuais, e a mídia e as instituições de ensino dão subterfúgio à problemática.
     Deve-se pontuar, de início, a importância do reconhecimento da pluralidade étnico-racial pelas grandes imprensas. À vista de tal preceito, cabe citar o fenômeno da "Indústria Cultural" , descrito pela Escola de Frankfurt como a mídia que dita padrões para a sociedade. Nesse sentido, a falta de representatividade e valorização das diversas culturas que coexistem formando a nacional, nesses canais, resulta na sensação de não pertencimento a nação por grande parte da população, por conseguinte, em preconceito e exclusão.
     Outrossim, o papel da escola na desmistificação da cultura e história do país é fundamental. Sob tal ótica, em 2013 o Ministério da Educação colocou em vigor uma lei que estabeleceu a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-brasileira em todas instituições de ensino brasileiras, entretanto, são poucas as que tratam o tema. Isso pode ser explicado pela teoria das "Instituições Sequestro", do filosofo contemporâneo Michel Foucalt, em resumo, ele diz que esses locais, hoje, se importam mais com a formação acadêmica em detrimento da social, e como a cultura erudita e europeia é mais valorizada, por exemplo, nos vestibulares, que são o foco da maioria, a ratificação da lei é colocada em segundo plano.
     Em virtude dos fatos mencionados, mudanças são necessárias. Em primeiro lugar, o governo, em parceria com a mídia, deve estabelecer cotas étnico-raciais para que ocorra maior representatividade nos programas de televisão, além de representações mais respeitosas a história dos povos que compõe o país, com objetivo de tratar o preconceito e ter uma uma impressa que valorize a heterogeneidade brasileira. Ademais, as escolas e a sociedade civil podem se mobilizar para que os vestibulares estipulem obras nacionais, do imaginário popular, como obrigatórias, e também em campanhas de leitura para que os estudantes tenham contato direto com elas. Assim, será possível reconstruir o cenário cultural, com enfase na pluralidade e respeito, por meio da valorização da historia e cultura popular do Brasil.