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    O Brasil é uma nação formada a partir de um gigantesco processo de imigração e esse fato proporcionou ao país uma cultura rica e diversa que merece respeito e valorização. Desde o processo de colonização até a república, o povoamento brasileiro foi miscigenado então, os costumes dos nativos se misturaram aos dos novos habitantes, à força ou de bom grado. Contudo, o reconhecimento das raízes não é um acontecimento contemporâneo já  no segundo reinado a busca pela identidade nacional estava presente. É essencial enaltecer as crenças indígenas, a culinária alemã, a religião afro. 
      A partir do momento que as naus lusitanas ancoraram na costa litorânea da Nova Terra esse processo de aculturação tomou proporção mundial e fez do lugar dos homens que "não cobriam as vergonhas" um centro de fusão cultural. O povoamento com degradados europeus, os relacionamentos com os nativos, a escravidão dos negros africanos, o "embranquecimento" através dos trabalhadores italianos, japoneses e alemães. Tudo isso foi fator preponderante para a imagem que atualmente o brasileiro possui. A lavagem da escadaria do Bonfim, por exemplo, descreve com riqueza o respeito entre as religiões, etnias e crenças que existem no país. Além das danças, festas, culinária que caracterizam o país em toda a sua extensão com heranças brancas, negras, indígenas que devem ser valorizadas em suas particularidades e compreendidas sem minorizar nenhuma. 
      "O que faríamos sem uma cultura?". O questionamento da filosofa inglesa Mary Midgley ilustra a ânsia sentida pelo brasileiro no século XIX e, por vezes, no XXI. A falta de registros específicos e estudo de cada aspecto compositor dos costumes dos povos que aqui chegaram causam uma carência de raízes bem definidas e um sincretismo confuso e discriminatório. Seja através da criação do IHGB em 1838 ou por pesquisas pessoais em 2017, é importante entender que Iemanjá veio com os africanos, que o catolicismo com os portugueses, que a dança da chuva é tupi e tudo isso é Brasil. 
      Portanto, é preciso que todos os traços culturais miscigenados sejam estudados e valorizados sem menosprezar nenhum. É papel do Estado garantir que a lei com novas diretrizes para o estudo da história seja cumprida em todos os níveis de ensino, com espaço para cada povo que contribuiu para a formação brasileira. É papel da escola oferecer para os alunos uma visão que valorize cada hábito componente da cultura nacional através de palestras com estudiosos da área de cada grupo e de trabalhos e feiras de conhecimento que incentivem os jovens a pesquisar, conhecer, demonstrar desde os ritos religiosos até as comidas típicas, danças e crenças. Enquanto o Ministério da Cultura deve dar espaço, financiar, divulgar amostras culturais como o festival das flores japonês, a oktoberfest alemã, por exemplo. Desse modo será possível conhecer e valorizar o mundo que cabe no Brasil sincrético.