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    Durante a primeira fase do Romantismo, os artistas já buscavam a criação de uma identidade nacional para o Brasil, inserindo negros, índios e brancos em suas obras, bem como os costumes e as crenças de tais etnias, formando o conceito de miscigenação do povo brasileiro. Diante desse cenário de sincretismo, que vem sendo construído há séculos, a cultura popular brasileira emerge como um valoroso aspecto de conhecimento histórico do País, no entanto, não tem recebido sua devida atenção, fato que, para ser mudado, requer um maior empenho da sociedade e do Poder Público.
         De fato, no contexto social brasileiro, os aspectos culturais dos diferentes povos constituintes da Nação vêm sendo, frequentemente, ignorados. Como prova dessa assertiva, é válido colocar em questão a recente polêmica envolvendo o uso de turbante por uma mulher branca, que foi duramente criticada e acusada de apropriação cultural. Nesse caso, não se faz conveniente analisar a retórica dos contrapontos, mas sim a problemática em questão, ou seja, o desconhecimento acerca do significado dos símbolos para as culturas das quais eles surgiram. Tal infortúnio, causado, geralmente, pelo desinteresse em alcançar o conhecimento seguindo o caminho mecanizado oferecido pelas escolas, representa, em muitos casos, um desrespeito às lutas de resistência de uma etnia, e, por conseguinte, à história desta, o que promove a propagação de mais pensamentos errôneos e preconceituosos.
         Além das adversidades tangentes ao âmbito social, há também as concernentes ao campo político. Nesse sentido, é válido ressaltar que são insuficientes as medidas governamentais no que diz respeito à difusão eficaz de ideias sincréticas e privadas de julgamentos. Decerto, a obrigatoriedade do ensino, nas escolas, acerca das culturas africana e indígena se mostra um aspecto relevante para a construção de um panorama social mais equânime, porém, como já foi colocado em questão, o mecanismo adotado para a transmissão de tais conhecimentos não se faz convidativo, e, diante disso, os governantes se mostram, muitas vezes, indiferentes, o que proporciona a perpetuação de uma educação limitada e negligente, cuja preocupação é apenas obedecer à Lei. Assim, não só a cultura popular cai no contexto da ignorância, como também a memória do País.
         Portanto, com o fito de promover a valorização da história brasileira, faz-se mister, por parte das instituições formadoras de opinião, como a mídia, a divulgação de propagandas que elucidem as pessoas acerca de conceitos relacionados à cultura como formadora social, desde a explanação da origem "tupi" de uma palavra, por exemplo, até a explicação sobre questões polêmicas, como a da apropriação cultural. Além disso, o Poder Público, em parceria com as escolas, deve de estimular, por meio de atividades lúdicas, o interesse dos alunos no aprendizado sincrético e respeitoso.