A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira

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    O escritor brasileiro Monteiro Lobato, em sua obra "Sítio do Pica Pau Amarelo", descreve - por meio de vários personagens - a multiplicidade de valores e normas constituinte de cada região brasileira. Dona Benta, avó dos protagonistas, caracteriza-se pelo entusiasmo na difusão desses elementos entre os demais. No mundo tangível, o importante papel da identidade social e o sentimento de pertencimento a uma determinada região, torna imperativa a valorização da cultura popular.             
          Mormente, é indubitável que a construção identitária de cada indivíduo está intimamente ligada ao conjunto de tradições e normas da sociedade na qual vive. De acordo com o sociólogo alemão Émile Durkheim, os seres humanos, de diferentes localidades, diferem-se, ao passo que as instituições que os cercam distinguem-se, também. Ao seguir esse raciocínio, percebe-se que a individualidade não é restrita às escolhas pessoais, mas a um conjunto de valores exteriores que existem, muitas vezes, há centenas de anos. Diante disso, vê-se que a cultura atua, de maneira primária, na construção intelectual e social da maioria dos integrantes de uma região e a sua deterioração implica o anulamento dessa formação.
        Convém frisar, ademais, que as manifestações culturais constituem o principal fator de reconhecimento de um país. O Círio de Nazaré na Região Norte, a Folia de Reis no centro-oeste e  o Maracatu no nordeste são exemplos de tradições que constroem e valorizam a história brasileira. Por consequência dessa construção, fatores atuais como como a globalização não destroem por completo a autenticidade de cada povo. Desse modo, ao encontrar-se imerso nesses elementos e identificar-se com eles, o indivíduo pertencerá à sociedade em questão.
           Em virtude dos fatos mencionados, entende-se que a manutenção dos costumes populares só ocorrerá com a mobilização civil e governamental. É imprescindível que o Ministério da Cultura, aliado ao Ministério da Educação, promova a valorização da multiplicidade de crenças, tradições e normas do território nacional, com a obrigatoriedade do tema na ementa da disciplina de História, para que as crianças tornem-se conhecedoras dos grupos sociais e da nação a qual pertencem. Outrossim, os mesmos agentes devem oferecer incentivos fiscais às emissoras de televisão que apresentarem programação educativa que exponha as diversas manifestações culturais, com o fito de instruir o público que já não frequenta mais a escola. Destarte, poder-se-á afirmar que o Brasil oferece os meios necessário à preservação da cultura do seu povo.