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    Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um corpo biológico com partes integradas de forma interdependentes. Assim, para que esse organismo seja igualitário e coeso, é necessária a garantia de direitos para todos. Paralelamente a isso, percebe-se que o patriarcalismo e o machismo impedem a efetivação das garantias femininas e são nocivos aos princípios de equidade entre os sexos. Nesse viés, o feminismo empoderou-se com o intuito de não só buscar a igualdade política, social e econômica, mas também para alterar os papéis de gênero impostos socialmente. Dessa forma, tal movimento é importante para viabilizar a ampliação dos direitos sociais da mulher, tanto pelo respeito quanto pela efetividade da liberdade de expressão ou pela atenuação da violência.
          Nesse contexto, a feminista e teórica social Simone de Beauvior mostra a condição da mulher como construção social por meio da frase: "Ninguém nasce mulher, torna-se mulher". Por tal visão, nota-se que, historicamente, as temáticas e a condição do sexo feminino na sociedade foram pautadas e definidas por homens, os quais renegaram à mulher um papel secundário na sociedade. Prova disso foi o tardio direito ao voto concebido às mulheres. Dessa forma, o papel do feminismo é dar voz e expressão às necessidades das mulheres, seja pela autonomia sobre o próprio corpo, seja pela busca de maior representação social.
          Por outro lado, segundo o pensamento da filósofa Hannah Arendt, o pior mal é aquele naturalizado e tolerado social e culturalmente. Nesse sentido, a violência contra o sexo feminino é um dos entraves para a igualdade de gênero. Isso ocorre uma vez que a agressão contra a mulher, seja ela física ou psicológica, além de ser um crime gravíssimo, fere totalmente os direitos dessa parcela da população. Para ilustrar, segundo o Mapa da Violência, a cada noventa minutos, uma mulher é assassinada no Brasil. Consequentemente, esse expressivo número mostra a quebra da isonomia social entre os sexos, algo que gera a necessidade de lutas feministas para a igualdade de direitos.
          Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário a reconstrução do imaginário social sobre o que vem a ser o feminismo. Nessa perspectiva, é fundamental que o Ministério da Cultura, em parceria com o Ministério das Comunicações, promova, nos meios midiáticos, campanhas de orientação sobre as lutas defendidas por tal movimento. Isso poderia se concretizar tanto pela exemplificação de direitos conquistados graças ao empenho das feministas, como também o árduo trabalho a ser enfrentado para conquistar de forma efetiva a isonomia social, a fim de garantir o empoderamento do sexo feminino. Para finalizar, cabe ao Estado criar meios para diminuir a violência contra a mulher, por meio de delegacias para esse grupo com profissionais qualificados e o mapeamento de áreas vulneráveis.