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    Ao longo da história brasileira, a luta feminina foi repleta de conquistas, como o poder de voto em 1932 com o advento do novo código eleitoral. Contudo, no país hodierno, de acordo com o Instituto de Pesquisa e Estatística Aplicada, IPEA, uma mulher é morta a cada 90 minutos. Isso mostra que o feminismo ainda tem muito o que reivindicar. Portanto, faz-se necessário analisar o entrave socio-cultural que transfere a responsabilidade das agressões à vítima e a impede de denunciar.
      Na América Portuguesa, o testemunho das mulheres era sempre questionável e desvalorizado em tribunais. Essa conjuntura se reflete a hoje, quando, em casos de estupro, dá-se ouvido aos agressores e não à padecente, em discursos onde uma vestimenta provocativa justificaria os ataques sexuais.Esta perspectiva contribui a altíssima incidência de violação ao corpo feminino: uma mulher é estuprada a cada 10 minutos, de acordo com o Mapa da Violência.
      Esse atraso social, além de ir contra o que Chimamanda Ngozi, um dos maiores nomes da literatura mundial atualmente, defende- é muito arriscado ouvir apenas uma história sobre alguém, no caso, a versão masculina, já que essa visão excludente ignora outros lados do acontecimento- é também, um empecilho para que a Lei Maria da Penha funcione de forma plena, já que, por medo ou vergonha da repressão de uma sociedade historicamente machista, muitas pessoas não recorrem a ela para usufruírem de seus direitos.
      Ocorreu, na Bélgica, uma exposição de roupas de vítimas de abuso sexual. A mostra continha itens que seriam usados por qualquer pessoa como calças e camisas largas e foi feita com o intuito de refutar o mito de que o estupro pode ser justificado em certas circunstâncias. Assim, o Ministério da Cultura deve direcionar políticas públicas à Fundação Casa de Rui Barbosa,FCRB, que possui, dentre outras, a missão de congregar iniciativas de reflexão e debate da cultura brasileira, para que sejam feitos movimentos nos museus do Brasil à semelhança do ocorrido no país belga. Dessa forma, cumprir-se-á essa paráfrase de John Stuart Mill: "Sobre seu corpo e mente, as mulheres são soberanas".