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    Segundo a escritora e filósofa Simone de Beauvoir, a importância do feminismo consiste em modificar o "status quo" de objetificação da pessoalidade das mulheres em detrimento dos homens, haja vista que essas foram subjugadas histórica e culturalmente, sob o conceito secundarista de "não-ser". Tal pressuposto parte do posicionamento de filósofos, sejam clássicos como Aristóteles, sejam contemporâneos como Freud, que somados à padronização tomada pelas instituições familiares, escolares e religiosas, convergiram em uma subdivisão específica de caracteres femininos e masculinos, perpetuados no machismo. Esse processo arraigou-se em demasiada complexidade e constância, não raro, aculturado pelas próprias mulheres, como uma forma de preconceito nebuloso, que em sua especificidade, necessita de uma definição clara para ser notado. 
          Conforme o supracitado, Aristóteles conceituou em seus escritos uma "incompletude fisiológica das mulheres", nas quais os órgãos sexuais não se desenvolveriam plenamente tal qual ocorria nos homens. Já Freud defendia uma suposta "inveja psíquica e inconsciente" do sexo masculino, nutrida pelas mulheres, que somente seria sanada por meio do casamento e da maternidade - bases posteriores de seu polêmico Complexo de Édipo. Em síntese, esses conceitos criariam a personificação do que tangia ao feminino, segundo uma "natureza" biológica não científica, que embutida no ideário dos indivíduos, desde o nascimento, em retomada à Beauvoir, privavam-lhes de transformarem-se.
          Consoante a isso, a extensão desse problema atingiria aos direitos civis e humanos das mulheres, privando-as da participação política e, em última instância, da própria vida. Um dos exemplos é o Brasil, onde o voto feminino foi instituído na Constituição de 1934, no entanto, somente adquiriu efetividade em 1946, com o Sufrágio Universal. É também no país que a Lei Maria da Penha, decretada em 2006, baseada em inumeráveis feminicídios, ulteriormente, permanece em descumprimento, devido à sub-representatividade das mulheres na política, como reflexo da ainda persistente cultura do machismo. 
          Todavia, da costela de Adão nasceu o feminismo, e é desse movimento que partem as conquistas alcançadas pelas mulheres, mas ainda são apenas o início do processo de consciência do ser em si e para si. Doravante, é pelo protesto que feminicídios como a da vereadora Marielle Franco, além dos de inúmeras outras mulheres, diariamente, não é silenciado pelo conformismo da lei. Por meio da mobilização popular, da divulgação das ONGs nas redes sociais e na televisão, bem como dos relatos pessoais, é que o movimento ganha forma e força. Logo, correntes como o "Nenhuma a menos" ou o "Marielle Presente", servem para alcançar as mulheres, nem que seja pela pesquisa do significado e pela tomada de consciência do problema, visando a desconstrução do machismo, dia a dia.