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    A filosofia iluminista, em conjunto com a Revolução Francesa, originou grandes e intensas mudanças sociais na Europa do século XVIII. Um dos principais frutos de tal Revolução, e também um dos menos destacados, não foi a mudança na pirâmide social, nem a derrubada do absolutismo, tão pouco as alterações nas práticas econômicas mercantilistas; foi o início do movimento feminista. Pela primeira vez as mulheres enxergaram e criticaram a sociedade desigual e injusta, instaurada desde as civilizações da Antiguidade e advinda do machismo e do patriarcado.
           O movimento feminista, em suma, luta pela igualdade de gêneros e pela liberdade de escolhas da mulher. Apesar do feminismo ter se originado de fato no século XIX, foi só em torno de 1918 que significativas mudanças sociais começaram a acontecer, como o direito ao voto às mulheres inglesas, resultante do movimento sufragista. Quanto ao Brasil,  mudanças relevantes só ocorreram a partir de 1962, com o Estatuto da Mulher Casada, o qual permitiu que mulheres casadas não precisassem mais da autorização do marido para trabalhar, além de garantir direito à herança e a chance de pedir a guarda do filho em caso de divórcio. 
    
           Outro fato assustador que demonstra o quanto uma sociedade machista e segregacionista é prejudicial, ilustrando bem a necessidade do movimento feminista e o longo caminho que este ainda deve percorrer, é o da jovem paquistanesa Malala Yousafzai. Malala ficou conhecida mundialmente após ser baleada na cabeça por talibãs em 2012, ao sair da escola, com apenas quinze anos. Seu crime foi se manisfestar contra a proibição dos estudos para as mulheres em seu país. O mais estarrecedor é que esse episódio é apenas mais um dentre milhões. Mulheres ao redor do mundo são diariamente privadas de seus direitos básicos, humilhadas, violentadas moral e fisicamente, estupradas e assassinadas, mas pouco é feito para contornar a situação. O Brasil é um exemplo, ocupando atualmente a quinta posição no ranking mundial de violência doméstica, apenas em 2015 houve a aprovação da Lei do Feminicídio, crime que mata treze mulheres por dia no país.
           Desse modo, fica claro que, em relação ao século XIX, muito já foi feito e conquistado através do movimento feminista, não apenas direitos civis e jurídicos, como também mais espaço e mais voz na sociedade. No entanto, ainda há bastante a ser feito. As lutas feministas são imprescindíveis para garantia de uma sociedade igualitária e de respeito às mulheres. Assim sendo, para que mais mudanças aconteçam, é fundamental que o assunto seja mais debatido nas escolas e na mídia, uma maior representatividade na política, e que as famílias eduquem as futuras gerações sem o sistema machista e patriarcal, ensinando desde cedo a igualdade de gêneros e o respeito as mulheres.