A importância do movimento feminista na luta pelos direitos das mulheres

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    Conforme defendeu o filósofo inglês John Locke, a liberdade de escolha, a igualdade de oportunidades e a fraternidade coletiva são essenciais na manutenção de um regime democrático. No entanto, é frustrante constatar que, no Brasil, tais pilares - do estado democrático de direito - não fazem-se presentes no contexto contemporâneo, visto que o movimento feminista, que busca a justiça entre gêneros, é, por vezes, vítima de descredibilidade. Nesse sentido, torna-se imprescindível analisar como o individualismo exacerbado e a negligência governamental influenciam na perpetuação da problemática. 
       A princípio, o egoísmo pós-contemporâneo tem responsabilidade pelo óbice vigente. Isso decorre, considerando o pensamento do sociólogo Gilles Lipovetsky na obra ''A era do Vazio'', de uma despreocupação das pessoas na manutenção de seus laços afetivos interpessoais, preferindo, assim, a individualidade em detrimento ao pensamento coletivo. Não é à toa, então, que, com um ideal egoísta intrínseco, o pensamento coletivo é deixado de lado e a luta pelos direitos das mulheres acaba se tornando vítima de descredibilidade. Prova disso é que, hodiernamente, o feminicídio - onda de crimes contra a mulher, que tem como origem o machismo - aumenta ano após ano. 
       Outrossim, a negligência dos governos competentes é, também, motivador da persistência do impasse. Isso porque, parafraseando o antropólogo Pierre Bourdieu em sua Teoria do Habitus, o ser humano tende a incorporar estruturas sociais e comportamentos de sua época, os perpetuando. Em decorrência disso, apesar de remoto, o período colonial brasileiro, vítima do sistema patriarcal e machista, incorporou nas pessoas tais ideais machistas, fazendo com que, após séculos, persistam tais ideários. Embora mais civilizados que no Brasil Colonial, enfrentamos, ainda, resquícios do pensamento ultrapassado patriarcal, haja vista que a Câmara dos Deputados, em 2018, vetou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que qualificava o feminicídio como crime hediondo.
      Torna-se evidente, portanto, que o movimento feminista e o legado de justiça que ele trás consigo devem ser preservados. Diante disso, o Ministério da Educação, em parcerias com as escolas estaduais, deve criar uma campanha de nome ''Machismo não!'', por meio de cartazes e propagandas, que propague os ideais feministas em detrimento dos machistas, a fim de desconstruir o pensamento patriarcal, construído durante a história brasileira, uma vez que é por intermédio da educação que há a progressão humana de uma população. Dessa forma, assim como John Locke defendia, o estado democrático de direito será preservado e a luta por direitos das mulheres será aplaudida por todos.