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    Durante a era desenvolvimentista de rodoviárias nas décadas de 50 e 60 no Brasil, o investimento nos modais de transporte provocou proporções automobilísticas no futuro do país. Nessa perspectiva, a ausência de meios alternativos somada ao total descaso estatal no investimento da qualidade do sistema de transporte público corrobora o individualismo e os inúmeros desafios de locomoção na contemporaneidade, carecendo de medidas políticosociais capazes de reverter esse paradigma. Em primeiro lugar, é fundamental analisar a problemática ética da administração governamental. Nesse viés, consoante o filósofo iluminista Jeremy Bentham, o utilitarismo quantitativo é o padrão ético ideal em uma sociedade democrática, uma vez que toda ação com o intuito de beneficiar a maior quantidade possível de pessoas é, para o autor, o melhor caminho a ser seguido. Entretanto, em um contexto de falência da qualidade e da segurança do transporte público, necessário para milhões de cidadãos diariamente, e de preços abusivos para os serviços obedecidos ratificam a incompetência ética do Estado e a urgência por mudanças estruturais básicas que viabilizem o uso do serviço coletivo na sociedade do século XXI. Ademais, convém ressaltar a influência individualista nos desafios da locomoção brasileira. A par disso, partindo da concepção de hipermodernidade para o pensador Gilles Lipovetsky, ou seja, com uma população atual trabalhando com um isolamento social e psicológico colaborados pelo excesso de informações, é instaurado o chamado consumismo comportamental. Dessa maneira, com condições individuais de adquirição de bens materiais, a compra de veículos próprios tornou-se um fenômeno no Brasil, em vista que, segundo o Departamento Nacional de Trânsito, o número de carros individuais mais que dobrou nos últimos dez anos. Com isso, o congestionamento e a interrupção da fluidez locomotiva consolidam essa problemática atual. Portanto, ficam evidentes os fatores que contribuem para os dilemas de locomoção no território brasileiro. Em vista disso, é fundamental o esforço do Ministério dos Transportes na reformulação de políticas públicas de qualidade do transporte coletivo, com o investimento em vigilância e em reformas dos modais sucateados, a fim de incentivar o uso digno das opções oferecidas pelo apoio do Estado, além de estimular meios alternativos, como ciclovias e ferrovias, uma vez que a distribuição populacional aperfeiçoa o fluxo locomotivo. Por fim, as prefeituras, em associação com as universidades, podem trabalhar com sistemas integrados que ofereçam incentivos de baixo custo e com campanhas de responsabilização e mobilização social para que, enfim, o desenvolvimento do transporte brasileiro seja referência mundial de eficiência e qualidade.