A mobilidade urbana no Brasil

Envie sua redação para correção
    Luz à mobilidade
         Ao permear do século XVIII, o Iluminismo — movimento que trouxe à tona debates acerca da construção do meio coletivo — concretizou como um dos seus maiores legados a previsão de um futuro no qual o bem estar social seria um pilar bem efetuado face aos avanços técnicos. No entanto, o  contemporâneo cenário de defasagem no decorrimento da mobilidade urbana no Brasil constrói uma esfera antagônica às premissas do século das luzes: ora pela fragilidade na efetivação de políticas públicas, ora pela ausência de princípios básicos para a legitimação da cidadania.
        Para Émile Durkheim, os indivíduos que compõem uma sociedade devem fazer o possível para manter preservado o fato social — conjunto de práticas e comportamentos que marcam o campo coletivo. Em contrapartida, a falha na execução de mecanismos cotidianos, como a boa fluidez no trânsito e o uso de transportes públicos, por superlotação, nas principais metrópoles brasileiras, revela a deficiência na realização de condutas que estão previamente garantidas na própria Constituição Federal de tal nação. Dessa forma, compete aos órgãos logísticos  rearranjarem os padrões presentes.
        Em consonância ao declínio na administração da infraestrutura do espaço urbano, a problemática que põe em xeque a mobilidade urbana também deve-se à ausência de instrumentos essenciais para a construção de uma sociedade pautada no êxito em ações grupais, sobretudo a educação no espaço comunitário. Sobre isso, uma pesquisa elaborada pelo ''Nexo Jornal'', um veículo jornalístico, afirma que uma grande parcela dos carros que circulam na capital de São Paulo, nos horários de picos, transportam apenas uma pessoa — o que influencia ainda mais para o agravamento do trânsito. Em suma, consta-se necessária a adoção de medidas que fortaleçam o sistema coletivo, a fim de atenuar o individualismo no meio urbano. 
         Em razão da diversidade de malefícios acarretados pelo déficit estrutural dos transportes e vias públicas, urge promover e aprimorar novas ferramentas, que visem minimizar os impactos causados pela debilidade da mobilidade urbana no território brasileiro. Ao Ministério de Transportes, por sua vez, convém investir em esquemas de flexibilização das malhas de tráfego, a partir da construção de ciclofaixas e, consequentemente, da influência ao ciclismo como transporte alternativo. Ademais, cabe à mídia divulgar e propor aos cidadãos a promoção de ações solidárias, como o incentivo à ''caronas'', com intuito de diminuir o quantitativo de veículos nas estradas. Por conseguinte, sob a aplicação de tais medidas, construir-se-ia um meio urbano com mais qualidade de circulação e executaria um futuro no qual a perspectiva iluminista não fosse utópica.