A mobilidade urbana no Brasil

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    "No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Através desse trecho do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade pode-se afirmar que a mobilidade urbana se configura como um obstáculo na vida de muitos brasileiros à medida que os limita ao acesso à facilidade de locomoção. Nessa perspectiva cabe analisar os fatores históricos que corroboraram para tal descaso, bem como os resultados do despertar tardio da sociedade para essa triste realidade. 
       Em primeiro plano, é de conhecimento geral que o percurso histórico do Brasil é marcado pelo crescente aumento populacional, resultando na dificuldade de locomoção nas grandes cidades por conta dos congestionamentos. Este último ocorre devido ao pouco investimento econômico destinado aos transportes públicos que se encontram, hoje, em péssimas condições, com superlotação e de forma não sustentável, o que leva as pessoas a optar pelos automóveis individuais. Prova disso, um único automóvel de porte pequeno desloca 5 pessoas e emite gás CO2 – agravador do efeito estuda – em mesma quantidade que um ônibus urbano que transporta certa de 50 pessoas, assim, percebe-se que à medida que o poder público deixa de investir em uma melhor infraestrutura dos sistemas modais, mais será grave a mobilidade urbana e, por conseguinte, maior será a quantidade de carros nas ruas.          Outro ponto relevante a destacar são as consequências da inobservância estatal para com a população e o meio ambiente, visto que dois dos mais graves resultados visíveis da mobilidade urbana são a violação dos direitos à segurança no trânsito e à sustentabilidade. De acordo com Dahrendord: um número elevado e crescente de violações de normas é visto como permitido quando nenhuma destas é punido. A frase do sociólogo alemão mostra que, enquanto a impunidade empoderar na sociedade e não haver mudanças na infraestrutura dos ônibus urbanos para atender toda a população brasileira e, com isso, reduzir a quantidade de emissão de poluentes no meio ambiente, os direitos - garantidos por lei na Constituição Federal de 1988 - continuarão sendo infringidos.
       Infere-se, portanto, que o problema da mobilidade urbana se mostra uma grande pedra a ser removida do caminho. Para tanto, faz-se necessário que o Ministério da Infraestrutura, juntamente com os Municípios, invista no melhoramento dos transportes públicos e no aumento de frotas para que possam ser acessíveis por todos os cidadãos. Ademais, é de extrema importância que seja construída novas ciclovias, reformadas as já existentes e implantada nos meios de comunicação propagandas de incentivo ao uso de bicicletas, objetivando reduzir a emissão de gases poluidores. Por fim, através de punições legais dos responsáveis em garantir os direitos sociais caso sejam violados - principalmente o de segurança no trânsito e o de sustentabilidade - a força da impunidade diminuirá.