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    A partir da década de 1950, a venda de automóveis teve um grande salto durante o governo Getúlio Vargas, uma vez que houve uma restrição a importação de veículos e criou-se comissões para atrair fábricas de carros e caminhões. Consequentemente, o crescimento das cidades foi pautado na mobilidade dependente dos automóveis, por meio da ampliação de rodovias e sucateamento do transporte público. Dessa maneira, é necessária uma mudança no modelo atual problemático para que o crescimento populacional não afete ainda mais o transporte urbano no Brasil. 
            Em primeiro lugar, é importante destacar que a transição do modelo de mobilidade urbana no Brasil passa pela diminuição da dependência do cidadão em locomover-se de carro. Enquanto o transporte coletivo é ineficiente na maioria das cidades brasileiras, obras de duplicação de rodovias, construção de viadutos e avenidas para carros são muito comuns, incentivando o uso do automóvel. Segundo o IBGE, atualmente, 76% da população vive nas cidades, e a projeção é de que, em 2030, 90% da população seja urbana, ou seja, a capacidade de locomoção da população ficará cada vez mais crítica caso não haja alternativas de transporte. Dessa forma, é essencial a atualização dos modelos de mobilidade urbana no Brasil para diminuir o uso da malha rodoviária. 
            Deve-se ressaltar também que nas cidades brasileiras com opções de transporte alternativo não há integração eficiente entre esses meios. De acordo com os dados da Companhia de Engenharia e Tráfego da cidade de São Paulo, para usufruir da integração modal o ciclista conta com 6.149 vagas em bicicletários e somente 121 paraciclos públicos em terminais de ônibus ou estações de metrô. Essa pequena infraestrutura dificulta a integração entre o ciclista e o transporte público, pois são mais de 1.300 linhas de ônibus distribuídas em 28 terminais e de 6 linhas de metrô na cidade de São Paulo, a maior cidade do país. Sendo assim, o investimento na ampliação dos meios de transporte alternativos e na integração eficiente entre eles são fundamentais para a locomoção nas cidades do país.
            Diante desse cenário, é necessário que os governos municipais juntamente com o setor privado invistam no transporte alternativo, por meio da construção e ampliação de ciclovias e toda a infraestrutura necessária para integrar linhas de ônibus, metrô  e trem a essas vias. Além disso, a implementação  do sistema teleférico torna-se uma alternativa limpa e eficiente nas cidades montanhosas, assim como a ampliação da malha ferroviária, objetivando a desobstrução das rodovias municipais e intermunicipais. Assim, será possível melhorar a qualidade da mobilidade urbana no Brasil para as futuras gerações.