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    A Constituição Federal do Brasil, promulgada em 1988, é bastante clara ao afirmar que o direito de ir e vir é uma benesse garantida à todos os cidadãos. Entretanto, os inúmeros impasses na questão da mobilidade urbana impede que grande parte da população brasileira desfrute desse direito  na prática. Dessa forma, é importante analisarmos as principais causas, consequências e possível medida para esse fenômeno.
       Inicialmente, podemos destacar que, em 1928, ao inaugurar a primeira rodovia asfaltada no Brasil, Washington Luís iniciou a concretização do lema de sua gestão: “governar é abrir estradas”. Alguns anos depois, a política desenvolvimentista adotada por outro presidente, Juscelino Kubitschek, incentivou o crescimento desordenado da indústria automotiva, causando graves problemas na mobilidade urbana. Infelizmente, no Brasil contemporâneo, o que ocorre é reflexo de tais medidas históricas. O fenômeno popularmente conhecido como “engarrafamento”, causado pelo grande crescimento da frota veicular e pelo exíguo aumento do número de rodovias,  é o principal problema enfrentado pelos setores nacionais de transporte. Tal infortúnio também prejudica a economia do país, pois as pessoas perdem, no trânsito, horas que poderiam ser utilizadas, por exemplo, em atividades laborais, as quais gerariam renda e movimentação financeira. De acordo com o jornal O Globo, os paulistanos gastam em média 45 dias do ano presos no trânsito. Assim, ficam evidentes os prejuízos que a deficiência na mobilidade urbana do Brasil causam ao âmbito social.
       Faz-se mister, ainda, salientar um contexto de descrédito financeiro com relação aos transportes públicos, que têm investimentos insuficientes. Como exemplo podemos citar  o diminuto tamanho da malha metroviária brasileira, com linhas escassas, trens desconfortáveis e antigos, além da precariedade dos ônibus que circulam nas principais cidades do Brasil. Dessa forma, em busca de conforto e comodidade, a população opta pela utilização dos automóveis, cuja frota dobrou nos últimos dez anos, segundo o Observatório das Metrópoles. Assim, compreender melhor essa situação de precariedade é fundamental para a formulação de políticas públicas que busquem melhores alternativa
      Portanto, é viável pensar em soluções para o problema. Para isso, as Secretarias dos Transportes Metropolitanos de cada estado devem ampliar a quantidade de linhas de metrô no território brasileiro, por meio de maiores investimentos financeiros e fiscalização de funcionamento que garanta pleno bem-estar da população, com o intuito de desincentivar a busca pelo transporte individual e facilitar a locomoção urbana no Brasil. Dessa forma, o Brasil se distanciará de seu passado histórico, rumo a uma mobilidade adequada e digna.