Envie sua redação para correção
    "Governar é abrir estradas", proclamava Juscelino Kubitschek durante seu governo, que fez a produção de automóveis e construção de rodovias explodir no Brasil. Hoje, quase 60 anos após JK ter deixado o poder, o que o nosso país precisa é diminuir a frota de automóveis e adotar um plano de mobilidade urbana mais eficaz.
    A prevalência do transporte individual nas cidades faz com que o Brasil perca mais de R$ 265 bi por ano devido aos congestionamentos - segundo dados da Quanta Consultoria, empresa responsável pelo Plano de Mobilidade Urbana do Rio de Janeiro. Os impactos ambientais também são notórios: carros representam 72,6% da emissão de gases poluentes em São Paulo, segundo o IMEA.
    Indubitavelmente, é de suma importância analisar as causas e consequências da precariedade do sistema de mobilidade urbana. A ANTP lançou, em 2017, o livro "Mobilidade humana para um Brasil urbano", justamente com esse propósito. Há uma clara preferência nacional pelo transporte individual em relação ao coletivo: cerca de 61% dos domicílios urbanos em 2009 já contavam com pelo menos algum tipo de veículo motorizado - e este número certamente vem crescendo nos últimos anos. Vários problemas levam a este fator, mas vale ressaltar dois principais: custo e tempo.
    Primeiramente, o custo médio para uma viagem de ônibus, em 2014, era de R$ 3,60, enquanto para carros era de R$ 3,20, e para motocicletas apenas R$ 0,91. Na Europa, onde concentram-se muitas cidades modelo em mobilidade urbana, o transporte individual custa de cinco a sete vezes mais. Outro ponto é que carros trafegam pelas cidades 40% mais rapidamente que ônibus, principal meio de transporte coletivo no país, e as motos chegam a ser 90% mais velozes.
    Os impactos são evidentes: Econômica e socialmente, a logística do espaço viário impacta negativamente, pois carros ocupam quase oito vezes mais espaço, e motocicletas mais de quatro vezes, em relação aos ônibus. Além disso, o transporte individual polui três vezes mais.
    Diante do exposto, é inquestionável que o Governo Federal precisa, urgentemente, implementar políticas agressivas de mudança na mobilidade urbana do país. O modelo rodoviarista de transporte individual é completamente insustentável na atual matriz arquitetônica de planejamento urbano. É necessário que o Ministério da Infraestrutura desloque, de imediato, grande parte de recursos do transporte individual para o transporte coletivo, com o auxílio de investimentos da iniciativa privada, por meio de subsídios – fazendo com que o coletivo seja mais eficaz que o individual, tanto em termos de custo quanto de tempo. Só assim o Brasil poderá frear essa preferência desajeitada e parar de andar na contramão do progresso no mundo.
    Diante do exposto, é inquestionável que o Governo Federal precisa, urgentemente, implementar políticas agressivas de mudança na mobilidade urbana do país. O modelo rodoviarista de transporte individual é completamente insustentável na atual matriz arquitetônica de planejamento urbano. É necessário que o Ministério da Infraestrutura desloque, de imediato, grande parte de recursos do transporte individual para o transporte coletivo, com o auxílio de investimentos da iniciativa privada