Envie sua redação para correção
    A mobilidade urbana vem causando impactos econômicos, políticos, ambientais e sociais há pelo menos 40 anos. Segundo o Globo News, o Brasil perde R$ 267 bilhões por ano com congestionamentos. Isso acontece pela escolha de ter o carro como protagonista. Tal veículo está em convergência com o estilo aristocrático da sociedade brasileira evitar a plebe (o povo comum), como defendia Roberto DaMatta, no seu livro Fé em Deus e pé na tábua. Nesse contexto, a movimentação de pessoas afeta o direito à cidade e a saúde das pessoas. 
          A priori, o deslocamento urbano influencia no direito à cidade, visto que o pedestre não é a prioridade desse sistema. Esse fato ocorre, porque os trabalhadores são submetidos, diariamente, a movimentos pendulares e caóticos. Mas também, são excluídos do acesso a espaços de lazer localizados, em geral, nas áreas elitizadas da cidade. Nesse contexto, o sociólogo Henri Lefebvre defende a apropriação da cidade enquanto ambiente democrático.  Para isso, é fundamental a diversificação de modais de transporte, como ocorreu em Curitiba (após projetos incentivados pelo arquiteto e prefeito Jaime Lerner) e em Brasília. Além do exposto, a descentralização dos meios de produção e flexibilização de atividades, como escola, trabalho e lazer podem contribuir nessa problemática. 
    
          A posteriori, a mobilidade nas cidades influencia na saúde das pessoas, visto que aumenta a incidência de doenças cardiovasculares e respiratórias. Isso ocorre, porque ficar muito tempo no trânsito aumenta o estresse, favorecendo fatores desencadeantes de doenças, como hipertensão e diabetes. O que está relacionado com dados da Sociedade Brasileira de Diabetes, em que o estresse oxidativo dificulta o tratamento de pessoas com diabetes tipo II. Ademais, a grande emissão de gases poluentes no ar e outros resíduos predispõe o aumento de problemas respiratórios, como pneumonia. Nesse cenário, o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases do Efeito Estufa publicou que o gás carbônico emitido pelo trânsito brasileiro aumentou em 40% nos últimos 10 anos.
           Para resolver tais questões, é preciso que os municípios direcionem uma equipe de arquitetos e urbanistas para desenvolver projetos de mobilidade urbana, aumentando a eficiência de transporte coletivos e reduzindo o valor deles, por meio de isenção fiscal, para que seja possível o deslocamento rápido, seguro e confortável. Além disso, empresas privadas, por meio de uma política para aumentar a produtividade, poderiam investir em ciclovias e sistemas de bicicletas compartilhadas, para que seus trabalhadores possam utilizar um transporte alternativo (sustentável e saudável). Assim, a movimentação de pessoas pode ser mais democrática, coletiva e facilitadora do direito à cidade.