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    De acordo com a Constituição Federal de 1988 todo brasileiro tem o direito de ir e vir, ou seja, direito a liberdade de locomoção. Entretanto, esse plano teórico não se aplica bem à realidade brasileira, uma vez que, entre os anos de 2002 e 2012, segundo dados do Observatório das Metrópoles, enquanto a população brasileira aumentou 12,2%, o número de veículos registrou um crescimento de 138,6%. Esse quadro é agravado devido à falta de investimentos do Estado em transportes públicos e à cultura do carro financiada pela Revolução Industrial.
             Em primeiro plano, é possível conceber o descaso dos governantes públicos na malha metroviária do Brasil como um dos responsáveis pelo estímulo à aquisição de carros para locomoção urbana, já que, com linhas escassas, ônibus precários, metrôs superlotados e trens antigos, grandes metrópoles apresentam poucas opções de locomoção. Sob esse viés, a insuficiência de investimentos atinge também os caminhos de pedestres, os quais apresentam perigos para deficientes, idosos e demais indivíduos com movimentação limitada por conta das calçadas esburacadas. Assim, em busca de conforto e segurança, a população opta pela utilização dos automóveis, cuja frota dobrou nos últimos dez anos, segundo o Observatório das Metrópoles. 
           Outrossim, não é raro encontrar cidadãos que têm como principal objetivo a obtenção de um transporte individual, tanto para suprir-se a necessidade de deslocamento como para munir-se de uma ostentação na sociedade. A noção de luxo que paira no imaginário popular na aquisição de um automóvel tem raízes históricas no governo de JK, que  financiava o engrandecimento do transporte individual - fomentador da implementação de indústrias automobilísticas. Entretanto, seus efeitos são vistos até nos dias atuais, pelos longos congestionamentos enfrentados nos horários de pico.De acordo com o jornal O Globo, os paulistanos gastam em média 45 dias do ano presos no trânsito, reiterando a diminuição da qualidade de vida proporcionada pela má mobilidade urbana.
              Dessa forma, é evidente que existem entraves que impedem uma melhor eficiência da mobilidade urbana no país. Cabe as Secretarias dos Transportes Metropolitanos, além da ampliação da rede pública de transportes, ações como a implantação de ciclovias e a adoção do rodízio veicular sejam executadas em todas as metrópoles nacionais por meio de incentivos fiscais,  visando ao fim dos congestionamentos e, consequentemente, à redução dos problemas ambientais. Ademais, a fim de reduzir o número de carros particulares nas vias citadinas, é conveniente que os ambientalistas, com o auxílio da mídia, estimulem, por meio de campanhas, o uso de veículos coletivos ou alternativos – como ônibus e bicicletas -, pela população, pois, assim, será possível minorar os desafios do tráfego. .brasileiro. [6][7]