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    Paradigma Mobilístico
       Se, para François Mauriac, romancista francês, separar justiça e liberdade constitui um pecado social por excelência, para a sociedade brasileira hodierna, tal ideário não deveria ser diferente. Sob esse viés, os desafios da mobilidade urbana no Brasil afrontam não meramente  as cláusulas pétreas fundamentais, mas o profundo debate de bem-estar nas cidades do país. Nessa perspectiva, tal circunstância denota uma atmosfera de inadimplência, permeada em desafios, seja por uma compreensão política-estrutural falha, seja por seus negativos impactos na logística urbana. 
        Mormente, em virtude de uma política de transporte baseada no automóvel e no sistema rodoviário, a mínima  ou nenhuma diversificação dos modais de transporte, em certos centros urbanos, condicionou, ao longo de décadas de descaso, uma mazela sócio-histórica. Dessa forma, a famigerada máxima de Washington Luís: "Governar é abrir estradas", parece ter aberto, na realidade, o século XX no Brasil, uma nova noção mobilística. Assim, desde o Desenvolvimentismo de Juscelino Kubitschek até os incentivos fiscais da Era Lula, o automóvel individual tornou-se protagonista no cenário nacional; marginalizando modais urbanos coletivos e novos transportes alternativos. 
       Outrossim, há de se mencionar que o crescimento ascendente do número de veículos particulares, já que a população  insatisfeita enxerga vantagens em um meio de transporte próprio, promove uma logística urbana caótica. Nesse sentido,  além dos engarrafamentos quilométricos, além da poluição ambiental - visto que os automóveis liberam grandes quantidades de óxidos inorgânicos (CO2,SO2, NO2), a quantidade abrupta de frotas nas ruas ainda acarreta prejuízos econômicos, ora pela perda de cargas e entregas, ora pela perda de produtividade dos trabalhadores. Em São Paulo, por exemplo, há um sistema de rodízio de veículos para tentar amenizar tais problemas, porém, pelo baixo alcance, ainda assim é uma medida insuficiente.
        Torna-se imperativo, portanto, um trabalho de diálogo entre a população e o Estado, bem como ações conjuntas desses segmentos sociais, no sentido de garantir fluidez ao tráfego citadino. Primeiramente, é fundamental a imposição do Ministério do Transporte, junto aos especialistas da área, elaborando propostas de diversificação e integração dos modais, por meio de serviços públicos atualizados e um mecanismo que possa integrar o metrô, o ônibus e até bicicletas e patinetes elétricos. Em segunda Instância, é conveniente que ambientalistas, com auxílio da mídia, estimulem, por meio de campanhas e palestras, o uso de veículos coletivos ou alternativas sustentáveis pela população.Apenas sob tal conciliação, haver-se-á a mitigação plena das adversidades da mobilidade urbana no Brasil.