A mobilidade urbana no Brasil

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    O Plano de Metas, instituído por Juscelino Kubitschek na década de 1950, baseou-se na indústria automobilística - símbolo do capitalismo industrial - e transformou São Paulo no maior parque industrial da América Latina. Destarte, o número de automóveis obteve um estrondoso aumento desde então, ocasionando um grave problema de mobilidade nas grandes e médias cidades brasileiras, a saber, engarrafamentos quilométricos, dificuldades no deslocamento e longas horas no trânsito.
          Outrossim, o documentário brasileiro "Perrengue" retrata a dificuldade que as pessoas enfrentam ao se deslocarem por São Paulo. Ademais, é colocado em pauta a longa jornada diária dentro dos transportes, que chega a uma média de quatro horas nas grandes cidades. Todavia, isso é decorrente da elevada quantidade de veículos nas avenidas, os quais, nos horários de rush, provocam intensos engarrafamentos, trazendo prejuízos financeiros de mais de R$260 bilhões aos cofres públicos, como demonstrado na pesquisa da Quanta consultoria. Por outro lado, iniciativas como ciclovias e incentivo a transportes de massa trazem um elevado benefício, seja por atenuar o congestionamento ou por diminuir a emissão de CO2, gás que intensifica o efeito estufa.
          Em contraste, o Brasil segue uma "carrocracia", ou seja, os altos incentivos e facilidades na aquisição de automóveis, pelo governo federal, transformam o consumo desse produto em uma necessidade e questão de status, gerando, assim, uma frota de mais de 50 milhões de veículos - dados do Departamento Nacional de Trânsito - que enchem as avenidas trazendo vários transtornos. Da mesma forma, para que ocorra uma melhoria significativa, é necessário interligar modais de transportes, com o objetivo de diminuir o tempo do deslocamento e melhorar a qualidade de vida, pois ao investir nessas alternativas, a poluição e o desgaste mental provocado pelos engarrafamentos serão aplacados. A saber, Henrique Peñalosa instalou na cidade de Bogotá medidas para conter o avanço no número de carros, fazendo melhorias no transporte público e restringindo benefícios para donos de veículos individuais, tal fato foi tão efetivo que transformou a cidade na "Capital mundial da mobilidade".
          Portanto, é imprescindível, a ação do Governo Federal, com a parceria do Ministério da Educação, em promover uma educação conscientizadora nas escolas, por meio de palestras sobre a necessidade do uso de transportes alternativos, como bicicletas, metrôs e ônibus, para a melhoria do meio ambiente e da mobilidade urbana. Ademais, é preciso uma destinação maior de verbas, arrecadadas das receitas geradas pelos automóveis nas cidades, para a construção de ciclovias, melhoramento do transporte público, propagandas que induzam seu uso e na diminuição no preço das passagens, para fazer com que seja uma alternativa mais econômica e sustentável para a sociedade como um todo.