A mobilidade urbana no Brasil

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    Informações divulgadas pelo Observatório das Metrópoles indicam que o brasileiro passa, em média, duas horas por dia no trânsito. Inicialmente, este dado pode parecer inofensivo, mas as horas somadas totalizam cerca de 40 dias por ano, cenário o qual demonstra a problemática mobilidade urbana existente no Brasil. Devido às consequências decorrentes de um processo acelerado de urbanização, ocorrido em meados do século XX, as esferas ambiental e social do país são prejudicadas até hoje.
       Deve-se destacar, de início, que a década de 1950, sob governo do presidente Juscelino Kubitschek, foi marcada pelo crescimento das indústrias nacionais, o qual incentivou um processo de intenso êxodo rural. Em busca de trabalho, milhares de brasileiros migraram para os principais centros urbanos do país que, lamentavelmente, estavam infra estruturalmente mal preparados para recebê-los. Para atender a crescente demanda, cidades expandiram de forma acelerada e mal planejada. Por exemplo, o modelo rodoviário foi priorizado em detrimento de outros mais eficazes para o transporte em massa, como o ferroviário, devido aos menores custo e tempo de construção, assim como as vias não foram planejadas para comportar uma elevada concentração veicular. Infelizmente, esse contexto tem sido pouco modificado ao longo dos últimos 70 anos, provocando a problemática mobilidade urbana a qual conhecemos hoje, caracterizada por transportes públicos superlotados e rodovias congestionadas.
       É importante abordar, ainda, que, em decorrência disso, há prejuízos ambientais e sociais. Pode-se citar, primeiramente, a poluição do ar gerada pelos motores a combustão dos automóveis. Os gases emitidos retêm calor no ambiente, o que aumenta a temperatura local e forma as ilhas de calor. Além disso, elas induzem maior demanda energética para climatizar ambientes fechados, gerando ônus financeiro. Em segundo lugar, destaca-se a perda da qualidade de vida da população. Há perda de tempo valioso no trânsito, assim como há desconforto físico e mental decorrente da superlotação dos meios e das vias de transporte. Isso pode implicar, respectivamente, prejuízos ao desenvolvimento pessoal e profissional do indivíduo e maior estresse, um dos principais contribuintes ao desenvolvimento de doenças psicossomáticas, como a depressão e a síndrome do pânico.
       Portanto, é necessário que o Estado tome previdências para melhorar o quadro atual. Para isso, é necessário que o Ministério da Infraestrutura invista, por meio de verbas governamentais, em meios de transporte alternativos de qualidade, como ciclovias e passeios de caminhada, além de campanhas publicitárias, nas redes sociais e na televisão, que incentivem a população a usar essas vias. O objetivo disto é diminuir a dependência dos meios convencionais de locomoção, o que reduz a concentração diária de veículos nos centros urbanos, possibilitando a amenização dos problemas apresentados.