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    Durante muito tempo na sociedade ocidental, fortemente influenciada pelo cristianismo, as doenças mentais foram consideradas manifestações demoníacas. Apesar dos avanços da ciência em relação ao tema, muitos que padecem desses males ainda vivenciam um cenário de marginalização, fruto de um estigma com raízes históricas e alta carga de preconceito. Essa realidade jamais deve ser negligenciada, tendo em vista a incidência cada vez maior dessas enfermidades na população mundial.
         No Brasil, estima-se que 23 milhões de indivíduos possuam algum grau de transtorno mental, um número alarmante, já que corresponde a mais de 10% dos habitantes. Esses dados contrastam com o fato de que uma lei que dispõe sobre os direitos das pessoas portadoras e redireciona o modelo assistencial, publicada em 2001, nunca foi regulamentada, revelando certa omissão dos governantes em relação a um assunto tão preocupante.
          Outro fator relevante no país é a falta de informação a respeito dos problemas que podem afetar a psiqué. O desconhecimento dos sintomas, a ignorância sobre as explicações científicas, além da banalização de termos como depressão, ansiedade e bipolaridade nas redes sociais e na fala popular, contribuem para a persistência do preconceito, revelando a importância de discussões em ambientes pedagógicos e sensibilização das pessoas sobre a problemática envolvida.
            Ressalta-se, também, que a carência de psicólogos em equipes de saúde da família, escolas, empresas e órgãos públicos dificulta a aproximação do profissional para uma abordagem mais preventiva e esclarecedora. Desse modo, a busca pela assistência ocorre, geralmente, somente em casos graves, alimentando-se a ideia de que a orientação psicológica é necessária apenas diante de um quadro patológico sério já instalado.
             Fica latente, portanto, a necessidade de maior cuidado governamental em relação ao quadro das doenças mentais no Brasil. A regulamentação da lei nº 10.2016/2001, com adoção da obrigatoriedade da presença de psicólogos na Estratégia de Saúde da Família e em espaços pedagógicos e de trabalho, assim como campanhas publicitárias educativas por parte do Ministério da Saúde, contribuiriam para mudanças no paradigma de atenção a essa temática.