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    Hipócrates, na Idade Antiga, foi o primeiro a compreender a importância do debate sobre as doenças mentais. Primitivamente, ele foi o grande responsável pela tentativa de libertação da perigosa associação entre medicina e os rituais mágicos ocorridos naquela época. Assim, para que a discussão sobre a saúde/doença mental chegasse ao nível que se encontra hoje, muitos estudiosos foram penalizados e também indivíduos com problemas da psique foram mortos sem assistência adequada. Infelizmente, na antiguidade, pessoas doentes (com doenças físicas ou psíquicas) eram vistas como descartáveis e isso era bastante comum na Grécia (Esparta) e em Roma. Em Esparta, rebentos eram jogados em precipícios e em Roma havia a permissão para o sacrifício dos pequenos, fossem eles patrícios ou plebeus. Já na Idade Média, os problemas da psique eram demonizados, tidos como castigos divinos e precisavam de exorcismo. A patologia mental só começa a ser debatida como orgânica e/ou decorrente de fatores externos ao indivíduo já na transição da Idade Média para a Idade Moderna, quando o renascimento científico e o enfraquecimento da igreja permitem que se valorize o homem, a razão e a ciência. Nessa perspectiva, os estereótipos negativos relacionados à loucura começam a ser combatidos há pouco tempo, depois da Reforma Psiquiátrica, nos anos de 1970. Ora, se não se debate saúde mental, como desejar que a sociedade mude facilmente seus conceitos de rejeição, discriminação e exclusão social se desconhecem ou tem pensamentos errôneos sobre o tema!? Segundo a Comissão Nacional para a Reestruturação da Saúde Mental (CNRSSM), alguns mitos sobre as patologias da mente ainda persistem, inclusive, entre profissionais da saúde o que evidencia a forma negativa como são vistos os doentes. Ademais, as poucas mudanças socioculturais ocorridas impedem que atitudes positivas perante o problema psíquico sejam cada vez mais comuns. Isso também contribui para que as doenças mais prevalentes (depressão e ansiedade) aumentem muito em números e elevem também os índices de suicídios relacionados a algum distúrbio da mente. É notório que existem avanços porque as terapêuticas de antes eram bem agressivas quando se compara com as utilizadas hoje, mas ainda falta muito preparo no enfrentamento das enfermidades mentais seja por parte da sociedade civil que ainda se amedronta, que esconde seus doentes, seja por profissionais desqualificados que se importam mais com o medicalizar. Enquanto os municípios e Estados não se responsabilizarem pelo preparo de seus profissionais da Atenção Básica para o debate em saúde/doença mental, a sociedade continuará com seus preconceitos velados e perniciosos. Muito do que ainda acontece de negativo é em função disso! Educação continuada por meio de atividades como campanhas e palestras com psiquiatras, enfermeiros especialistas, psicólogos entre outros e que envolvam a comunidade são fundamentais para a compreensão de que a patologia mental não é sem importância. O trabalho dos Centros de Atenção Psicossocial é lindo, mas é pouco se boa parte da população brasileira ainda desconhece sua existência e finalidade.