A necessidade de debater as doenças mentais

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    Sabe-se que Machado de Assis, na sua obra "O Alienista", já discutia acerca dos padrões estabelecidos pela sociedade. Nesse sentido, contemporaneamente, a padronização de um mundo globalizado tem impactos significativos na saúde mental das pessoas, visto que os ideais promovidos, por vezes, não são alcançáveis ou não existem. Discutir a psicologia coletiva e individual é preponderante para uma sociedade justa, equilibrada e saudável.
    Em primeira análise, cabe destacar que a busca por profissionais que tratam doenças cronicas comportamentais cresceu consideravelmente nos últimos anos. O sociólogo Émile Durkheim afirma que a sociedade, como um "corpo biológico", precisa que todas as suas partes funcionem de forma coesa. Assim, ao observarmos o aumento da busca por cuidados emocionais, é nítida a má coesão da coletividade. Debater tal problemática, então, é mais que refletir sobre os indivíduos, mas sobre suas interações.
    Nesse contexto apresentado, a depressão, a bulimia e a anorexia são exemplos da instabilidade social, a medida que seus agentes causadores devem-se, em parte, ao modelo econômico vigente. O grande destaque do capitalismo é o alcance e a qualidade das propagandas midiáticas, que objetivam estimular o consumo. No entanto, junto disso, vincula-se a felicidade ao poder de compra e aos padrões criados, como o corpo perfeito e a roupa da moda. Tais vínculos criam uma relação de dependência emocional, que quando contrariada têm impactos negativos sobre os seres. Logo, o debate é imprescindível para as relações humanas.
    Evidencia-se, portanto, que discutir as doenças mentais no século XXI é aprofundar reflexões diversas acerca do modelo social e dos cuidados com a psiquê. É imprescindível, dessa forma, que o Ministério da Educação fomente discussões em escolas e universidades, visando conscientizar e informar todos sobre os impactos de possuir a mente instável, como se prevenir e tratar. Além disso, desmistificar a felicidade vinculada ao poder de compra. Somado a isso, o Ministério de Saúde deve promover campanhas acerca de tratamentos para doenças mentais e disponibilizar no Sistema Único de Saúde (SUS) mais profissionais capacitados nessa área. Feito isso, a sociedade terá mente sã e corpo são.