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    O debate sobre doenças mentais está, felizmente, aumentando com o passar do tempo. Entretanto, em uma sociedade altamente conservadora e preconceituosa muitos mitos ainda persistem, fazendo com que grande parte das pessoas que sofrem com essas patologias não procurem tratamento adequado por medo, vergonha ou pura falta de conhecimento. Infelizmente, essa falta de procura por tratamento é trágica, pois, doenças mentais, assim  como qualquer outra doença, podem levar a morte.
         Essa intolerância ao "diferente" não é de hoje. Na Europa, durante a Inquisição, muitos doentes mentais foram acusados de bruxaria, de estarem "possuídos pelo demônio" e foram queimados em fogueiras nas praças públicas. Atualmente, cerca de 400 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de perturbações mentais ou neurológicas, ou de problemas psicossociais, como o uso abusivo de álcool e drogas. A grande maioria sofre silenciosamente com sua doença, e também com a exclusão social que ela provoca. Muitos ainda pensam em doenças mentais como frescura, fruto da imaginação ou até "doença de rico", lamentavelmente, é esse tipo de pensamento o que mais contribui para os baixos índices de busca por tratamentos adequados. Todo mundo está vulnerável a sofrer de problemas mentais, que são diagnosticáveis, tratáveis e podem ser prevenidos a tempo.  
         Nos últimos anos, foram registrados progressos significativos na compreensão e na atenção aos problemas de saúde mental, com o progresso da medicina, especialmente no ramo da psiquiatria. Cada vez mais o transtorno mental vem se inserindo no contexto dos problemas de Saúde Pública. Agora eles podem ser adequadamente identificados e diagnosticados, e mais importante ainda, já se conta com recursos terapêuticos específicos que possibilitam o tratamento ambulatorial, evitando-se assim as internações desnecessárias que muitas vezes tornavam-se insuportáveis por asilarem o portador de transtorno mental.
         Dessa forma, é imprescindível que todos se conscientizem de que é preciso se debater sobre doenças mentais. Faz-se necessário que o pensamento da sociedade mude ainda mais, sempre visando melhores condições de vida tanto para as pessoas que sofrem dessa enfermidade, quanto para sua família. Cada ser humano nasce e se desenvolve de maneira única. Nenhuma pessoa é igual à outra, reconhecer isso é fundamental para compreender e respeitar os diferentes. É preciso que pessoas com transtornos mentais sejam reconhecidos como seres integrais, dignos, com direito à liberdade, à integridade física e moral, à reabilitação para o trabalho e à qualidade de vida. Pessoas com problemas de saúde mental não representam perigo para a família, comunidade ou sociedade. Por esse motivo, devem ser tratadas adequadamente e inseridas na comunidade, sem medo ou exclusão.