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    Liberdade Mental
       Após a Revolução Industrial e a consolidação do capitalismo, as jornadas extensas de trabalho, o baixo salário e a pressão sobre os trabalhadores contribuíram para o aumento do estresse e, consequentemente, o aumento do número de transtornos mentais. Hoje, na contemporaneidade, o contínuo aumento no percentual de casos de doenças mentais no mundo mostra que, desde o século XIX a população não percebe a seriedade deste assunto.
      Através do frequente uso das redes sociais por parte da população brasileira, palavras como "depressão", "esquizofrênico" e "bipolar" se tornaram expressões coloquiais, citadas dia após dia por pessoas que, na maioria das vezes, não sabem que estão se referindo à doenças mentais sérias e que existem outras pessoas que realmente sofrem com as mesmas. Além disso, os doentes mentais são rotulados de "dramáticos", "loucos", e ouvem que estão "querendo chamar atenção", muitas vezes até pela própria família.
       Por conseguinte, a falta de aderência aos tratamentos se mostra como uma das principais causas do aumento do número de casos psiquiátricos, pois os pacientes, sendo constantemente coagidos a acreditarem que sua própria saúde mental não é importante, não têm interesse em procurar um atendimento especializado, levando ao agravamento da doença e trazendo consequências futuras, como a internação em um hospício, a desestabilização econômica, social e emocional e o suicídio.
      Portanto, para que haja um debate sério sobre doenças mentais, é de suma importância que a população esteja ciente do verdadeiro mal que é um transtorno mental, principalmente para quem o sofre. Visando uma maior aderência aos tratamentos e, como resultado, um menor número de pessoas com doenças mentais, o Ministério e Secretarias da Saúde, juntamente com as Prefeituras devem promover uma melhoria estrutural no sistema de atendimento ao paciente com doença mental, orientando também os médicos à informarem melhor os pacientes e familiares sobre a doença e a possibilidade de conviver com a patologia. No âmbito sociocultural, a participação da comunidade em parceria com ONGs na realização de palestras - tendo especialistas na área psiquiátrica como convidados - projetos sociais com pessoas que já sofreram ou ainda sofrem de distúrbios mentais irá, indubitavelmente, fazer com que essas enfermidades sejam levadas mais a sério pela população, pois, é como diz o filósofo Paulo Freire: "Ninguém liberta ninguém. As pessoas se libertam em comunhão."