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    Por um bem viver
    No Brasil, há 23 milhões de pessoas que necessitam de algum atendimento em saúde mental, consoante pesquisas da Associação Brasileira de Psiquiatria. O acesso à consultas com especialistas na área e aos medicamentos, entretanto, é desproporcional à quantidade de cidadãos que precisam de auxílio psicológico ou manicomial. Tal descaso do poder público com esse âmbito da saúde incitou discussões acerca da necessidade de analisar e de combater as doenças mentais e as vertentes que englobam essa temática.
    Em primeiro lugar, é fundamental pontuar que as doenças psicossomáticas são originadas não apenas pela predisposição genética e biológica, mas também estão atreladas à influência do contexto sociocultural que os indivíduos estão inseridos. O estresse cotidiano advindo da falta de tempo intrínseca à dinâmica urbana, as relações interpessoais conturbadas e a pressão excessiva enfrentada nos ambientes de trabalho exercem papel preponderante no afloramento de doenças como a depressão, interferindo negativamente na esfera social. O Determinismo exemplifica bem isso, uma vez que admite o poder de fatores externos na alteração do comportamento mental. 
    Sem embargo, o atendimento inócuo aos pacientes portadores de distúrbios mentais dificulta o diagnóstico precoce dessas enfermidades. Assim, o tratamento adequado é dificultado, o que contribui, muitas vezes, para o agravamento dos quadros clínicos, podendo levar à casos mais extremos como o suicídio. Prova disso, é que segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), no Brasil há somente 0,25 leitos de internação psiquiátrica para cada mil habitantes, o que revela uma questão séria de saúde pública.
    Destarte, diretrizes que formulem mudanças são imprescindíveis para a solução desse impasse. Assim, concerne ao Estado direcionar investimentos para a assistência mental nos hospitais, através da ampliação do número de leitos e de profissionais capacitados que possam auxiliar os enfermos. Concomitantemente, as ONG's em parceria com a iniciativa privada podem criar grupos comunitários de apoio, ampliando o diálogo entre os indivíduos e orientando quanto à prevenção e o tratamento das doenças mentais. Afinal, como disse o filósofo Platão, "o importante não é viver, mas viver bem".