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    No Brasil, não tem muito tempo em que doente mental era sinônimo de um socialmente marginalizado. Mendigos, prostitutas, ladrões, qualquer comportamento desviante era suficiente para atestar um estado de desequilíbrio psicológico. Não se pode negar que alguns passos importantes foram dados, como a criação de dispositivos legais que vão de encontro a essa lógica manicomial de assistência. Porém, é nítido que, atualmente, a sociedade não é madura o suficiente para lidar com o tema, apresentando em muitos casos até um certo preconceito.
    Foi talvez devido a uma postura omissa e insensível da Seguridade Social, que herdamos do século passado o desprezo e a indiferença aos doentes mentais. No passado, não se falava em direitos para portadores de transtornos do gênero ou mesmo em saúde mental. Os diagnosticados com a doença eram confinados em hospitais, sem acompanhamento médico contínuo, sem atenção familiar e, em certos casos, sob regimes deficitários de higiene e alimentação.
    Com efeito, a partir de denúncias sobre a situação crítica dos hospitais psiquiátricos no Brasil, algumas mudanças surgiram no plano jurídico-legal. Entretanto, ainda não há um trabalho de conscientização da sociedade no sentido de desmistificar paradigmas. Uma grande parcela de seus integrantes denota certo preconceito no relacionamento com pessoas em episódios depressivos, revelando uma tendência de exclusão ao indivíduo, que acaba por isolar-se ao não enxergar ajuda.
    É evidente, portanto, que o assunto deve ser debatido em ampla escala e por todos os setores da sociedade. Numa tentativa de compensação aos erros já cometidos, o governo federal poderia destinar uma fatia dos recursos da previdência social, para o pagamento de uma espécie de indenização mensal às pessoas submetidas a internações sem critérios médicos. Além disso, a atuação da unidade básica de saúde, através de visitas frequentes de seus agentes aos lares, com conversas e orientações sobre o tema, trariam resultados na mudança de postura dos cidadãos.